Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Após recorde de mortos, DF muda forma de divulgar dados da covid-19

A partir desta quinta-feira será apresentado detalhamento apenas de óbitos que ocorreram no dia

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2020 | 16h46

BRASÍLIA - Após registrar números recordes de mortes pela covid-19, o governo do Distrito Federal decidiu alterar a forma de divulgar boletins sobre o novo coronavírus. A partir desta quinta-feira, 20, serão apresentados dados detalhados apenas de óbitos que ocorreram no dia. O objetivo é deixar de somar vítimas de outras datas, mas que só tiveram a confirmação da causa da morte nas últimas 24 horas.

A medida foi anunciada pelo secretário de Saúde do DF, Francisco Araújo. Ele afirmou que a população estava “desassossegada” com os números atuais. Na quarta-feira, por exemplo, o governo local confirmou 51 mortes, sendo oito nas últimas 24 horas.

“Vamos fugir dessa metodologia que o País inteiro está usando, porque não está funcionando”, disse Araújo em entrevista à imprensa. A decisão do Distrito Federal ocorre dias após o recorde de 66 mortes confirmadas em 24 horas, registrado na segunda-feira, 17.

O secretário afirma que as mortes mais antigas serão somadas a tabelas que mostram o total de vítimas durante a pandemia.

Com a mudança, o Distrito Federal coloca em prática um desejo o presidente Jair Bolsonaro e do ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, que foi barrado por pressão do Congresso e uma decisão do Supremo Tribunal Federal.

O governo federal tentou, no começo de junho, mudar a forma de divulgar dados. A ideia era a mesma do Distrito Federal: retirar do foco a soma de mortes do dia com aquelas de datas passadas.

Além de atrasar a divulgação dos boletins, o ministério chegou a retirar do ar o painel de informações sobre a covid-19. Em 5 de junho, Bolsonaro comemorou: "Acabou matéria no Jornal Nacional".

O número de mortes do dia com a covid-19 como causa confirmada também é pouco fiel ao cenário da doença, pois há vítimas que levam até semanas para receber o diagnóstico correto. O ministério, por exemplo, somou 1.212 mortes às estatísticas na quarta-feira, 19, sendo apenas 279 de vítimas do dia. Porém, há outros 3.173 óbitos em investigação.

Após as reações negativas, o governo Bolsonaro recuou e voltou a apresentar os dados agregados. Como resposta à tentativa de restringir dados, consórcio formado pelo O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, O Globo, Extra, G1 e UOL passaram a divulgar diariamente boletim próprio sobre a covid-19, em trabalho conjunto.

Em 29 de junho, Ibaneis disse ao Estadão que abriria bares, restaurantes, escolas e outras atividades, “sem restrições”, até o começo de agosto. Na mesma entrevista, que antecedeu a retomada de atividades em pleno avanço da doença, o governador minimizou o impacto sobre os serviços de saúde: “Vai lotar nada. Vai ser tratado como uma gripe, como isso deveria ter sido tratado desde o início”. À época havia 47.701 casos e 559 mortos pela doença. Segundo boletim de ontem do ministério, há 141.762 casos acumulados e 2.148 mortos.

O ministério mostrou na quarta, 19, que o Distrito Federal está entre as 9 unidades da federação com aumento de mortos registrados na semana que se encerrou em 15 de agosto sobre a anterior. Para evitar avanço ainda maior da doença, o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), decidiu recuar da reabertura de escolas públicas.

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