Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Após suspender hidroxicloroquina, OMS exclui cloroquina de opções para tratar covid-19

Entidade ressalta que medicamentos com a substância não têm eficácia comprovada no combate ao novo coronavírus

Guilherme Bianchini, especial para O Estado

27 de maio de 2020 | 16h55

Além de retirar a hidroxicloroquina do ensaio clínico internacional Solidariedade (Solidarity), a Organização Mundial da Saúde (OMS) excluiu a cloroquina da lista de opções em análise para o tratamento da covid-19. A atualização foi publicada no site da entidade. Apesar de a cloroquina ter sido citada como uma das opções em estudo, porém, ela não foi utilizada nos pacientes dos ensaios clínicos, ao contrário da hidroxicloroquina.

O projeto Solidariedade estuda medicamentos que podem ser úteis no combate ao novo coronavírus. Nenhum deles tem, até o momento, eficácia comprovada. Com a saída da cloroquina e da hidroxicloroquina, seguem em análise o remdesivir (usado no tratamento do ebola), o lopinavir/ritonavir (HIV) e o interferon beta-1a (esclerose múltipla).

“De acordo com o protocolo do estudo inicial, a cloroquina e a hidroxicloroquina foram selecionadas como possíveis drogas a serem testadas no estudo Solidariedade. No entanto, o teste só foi realizado com a hidroxicloroquina. Então, a cloroquina foi removida desta página como uma opção de tratamento listada em estudo", diz o comunicado na página do Solidariedade.

A suspensão dos ensaios clínicos com a hidroxicloroquina se baseou em um estudo publicado no periódico científico The Lancet. A pesquisa alertou para o aumento do risco de morte em infectados pelo novo coronavírus que tomaram remédios com a substância. O estudo, com mais de 96 mil pacientes internados, também constatou um aumento de casos de arritmia cardíaca associado aos medicamentos.

A interrupção é temporária, para que a OMS possa analisar os possíveis riscos citados pelo estudo em questão. A depender do resultado dessa análise, os ensaios clínicos com o remédio podem ser retomados, informou Michael Ryan, diretor do programa de emergências da entidade. Nesta quarta-feira, 27, ele reforçou que a organização não aconselha o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina, até que se provem eficazes e seguras. 

“Esses medicamentos são essenciais para o tratamento de outras doenças, como lúpus e malária. É muito importante que essas pessoas continuem tendo acesso. A preocupação se refere especificamente ao uso para tratamento de pacientes com covid-19. Como já dizemos, não há evidência de que seja eficaz”.

No Brasil, o uso da cloroquina é fortemente encorajado por Jair Bolsonaro, mesmo diante da falta de comprovação científica sobre a eficácia do remédio. Por pressão do presidente, o Ministério da Saúde liberou a droga para todos os pacientes com covid-19 no País, desde os casos mais leves até os mais graves.

Apesar da recomendação oficial para o uso do medicamento, vários Estados ignoraram as novas diretrizes. Na sexta-feira, 23, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) pediu a suspensão imediata das orientações do Ministério da Saúde.

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