FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Após tratamento privado, empresário faz doação milionária para HC

Doações de casal dono da Crefisa contribuíram para reforma de duas alas do Hospital das Clínicas da USP

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

30 Julho 2018 | 03h00

Foi durante um tratamento de linfoma no Hospital Sírio Libanês há cerca de dois anos que o empresário José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa, tomou conhecimento de um dilema que estava enfrentando o hematologista Vanderson Rocha.

O médico, que coordena a área de transplantes de medula óssea no hospital particular, tinha recentemente assumido a diretoria do Serviço de Hematologia do Hospital das Clínicas da USP e estava tentando lutar contra o fato de que havia muitos casos de infecções entre os internados do setor.

“São pacientes imunodeprimidos, que passam muito tempo hospitalizados, ficam um mês internados depois do transplante, e vi que precisava de algumas mudanças para poder fazer medicina de ponta ali”, conta Rocha, que vinha de uma experiência de 20 anos trabalhando na França e Inglaterra. “Mas em tempos de crise é difícil ter apoio público.”

Foi quando um caminho apareceu em família. Seu cunhado Marcelo Oliveira era então técnico do Palmeiras, time patrocinado pela Crefisa. Uma coisa levou à outra e Rocha conseguiu apresentar um projeto de modernização da ala para o casal Lamacchia e Leila Pereira.

“Fui conhecer o HC, o trabalho do Vanderson e vi a situação que estava a hematologia. Era absurdo o Beto (José Roberto) poder ser tratado de modo tão impecável no Sírio e o HC daquele jeito. Falei para ele que a gente precisava ajudar. Quando passamos por algumas provações na vida, têm de ter um porquê”, conta Leila.

Era o início de uma parceria que resultaria, no total, segundo cálculos de Leila, em cerca de R$ 35 milhões e a reforma de duas alas do hospital, previstas para serem inauguradas em agosto.

A enfermaria de 12 leitos da Hematologia foi toda reformulada e ganhou um sistema de automação, com filtragem do ar e da água, além de mobiliário e banheiros mais fáceis de limpar, com material que não acumula poeira. Mas o ganho do qual Rocha mais se orgulha parece até simples: a garantia de que médicos e enfermeiros vão fazer uma boa higienização antes de ter contato com os pacientes mais debilitados.

“Antes de entrar no quarto eles passam por uma antecâmara com um sensor que mede o tempo em que o médico lava as mãos. A porta nem abre se lavar por menos de um minuto”, explica.

Ao saber da doação, o urologista William Nahas, também médico de Lamacchia no Sírio, levou para ele um projeto de reformulação do setor de transplantes de rim do HC. “A gente chora para todo mundo. Fazia 40 anos que o setor não passava por uma modernização. O Zé Roberto e a Leila acabaram abraçando a ideia e a área foi totalmente reconstruída”, diz.

A enfermaria de transplantados, que tinha 20 leitos, passou a ter 24, em 12 quartos climatizados e com banheiros, além de uma estrutura mais humanizada. “Tira um pouco a cara de quarto de hospital”, comenta o médico, sobre o fato de os equipamentos de gases ficarem escondidos na parede. Também foram doados móveis e camas.

Multiplicação de projetos

Os dois projetos incentivaram outros departamentos a também buscarem recursos de doações. O centro de engenharia e arquitetura do hospital, que coordenou as duas reformas, vem usando a experiência adquirida para desenvolver estudos e fazer outros projetos.

Já estão na fila a Otorrinolaringologia, a Endocrinologia e a Geriatria, além de um outro projeto da Hematologia para a criação de um instituto do sangue e terapia celular para o combate ao câncer.

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