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Joédson Alves/ EFE
Joédson Alves/ EFE

Após um mês e ordem do STF, Saúde divulga calendário com 31% menos doses para maio

Governo reduziu previsão de entrega de imunizantes para o semestre em 22%; remessas das vacinas russa Sputnik V e a indiana Covaxin, ainda sem registro no Brasil, ficaram de fora da nova versão

Camila Turtelli e Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2021 | 20h16

BRASÍLIA - Após um mês, o Ministério da Saúde atualizou o cronograma de previsão de entrega de vacinas para o Brasil, com 22,55% menos doses a serem recebidas neste 1º semestre em comparação com o estimado anteriormente pela gestão Eduardo Pazuello. Se considerar só a revisão do calendário para maio, a queda é de 31%. A divulgação do novo calendário foi feita em coletiva para jornalistas neste sábado, 24, após o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), dar cinco dias para o governo atualizar periodicamente as informações sobre o tema. 

O pedido de esclarecimentos de Lewandowski foi feito em ação movida pela Rede Sustentabilidade, que pede ao tribunal que obrigue o governo a atualizar o calendário de entregas dos imunizantes comprados, disponibilizado no site do Ministério da Saúde, pelo menos a cada 15 dias. O partido argumenta que a defasagem compromete a programação de governadores e prefeitos. A última atualização havia sido em 19 de março.

"Havia doses previstas no calendário inicial, nem sempre o que é tratado é entregue. Fizemos atualização do calendário. Vamos atualizar periodicamente esse calendário para que se compreenda como se dá esse processo de aquisição e entrega de doses à sociedade brasileira", disse o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. No total, o calendário divulgado em março previa 205,897 milhões de doses entregues no Brasil no 1º semestre. O atual apresenta redução de 22,55% desse número, para 159,448 milhões.

Só para o mês de abril, a queda nas previsões de entrega de vacinas ao País foi de 20,7 milhões de doses. O número esperado para o mês era de 47,329 milhões de vacinas e, o cronograma atual prevê a remessa de apenas 26,608 milhõe. Para maio, há redução de 14,5 milhões de doses na comparação com a versão anterior do plano. A previsão era receber 46,9 milhões de vacinas. Agora, com a atualização, há expectativa de 32,4 milhões de doses. Para junho, a queda é menor, de 56,550 milhões para 54,257 milhões.

Dados da russa Sputnik V e da indiana Covaxin, imunizantes ainda sem aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ficaram de fora dessa nova versão, por não terem a autorização de uso no País. Anteriormente, o governo previa 10 milhões de doses do imunizante russo e 20 milhões do indiano, com lotes chegando ao Brasil a partir de março até junho.

Além disso, a entrega de 8 milhões de doses da Aztrazeneca pela Índia foi postergada para o 3º trimestre deste ano, ao invés de quatro recebimentos entre abril e julho. O país asiático sofre com nova explosão de casos e óbitos, o que tem elevado a pressão para acelerar a aplicação local de doses. Também houve revisão das entregas ao Brasil via Covax, consórcio para compra de vacinas liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). 

O secretário executivo do ministério, Rodrigo da Cruz, disse que as datas no calendário são estimativas das entregas. "Cada contrato tem peculiaridade. Tem reuniões semanais. A ideia é atualizar o calendário sempre às terças-feiras no fim do dia e ter dados atualizados na quarta pela manhã", disse. Ele listou eventos que podem atrasar o cronograma, como a possibilidade de atraso na entrega de insumos (IFA) para produção das vacinas e questões logísticas.

Os primeiros cronogramas de entrega de vacinas foram divulgados em fevereiro, quando o ex-ministro Pazuello tentava esfriar críticas sobre a demora do governo federal em apresentar projeções. As versões iniciais desse documento já se mostravam inviáveis. Ao prever o número de doses fornecidas mês a mês a Estados e municípios, a Saúde ignorava atrasos na entrega de IFA para a produção de vacinas na (Fiocruz e no Instituto Butantan. Também somava dados da Sputnik V e Covaxin, Anvisa.

O governo está sob pressão para ampliar o ritmo de vacinação. Por falta de doses, algumas cidades interromperam a campanha de imunização. No começo de abril, a prefeitura de Belo Horizonte informou que aguarda novos lotes para voltar a aplicar vacinas na capital mineira. O governo do Distrito Federal fez o mesmo.

Ministro fala em queda de casos, mas pede uso de máscara

Queiroga afirmou ainda que a população precisa seguir usando máscaras, evitando aglomerações e adotando outras medidas sanitárias para manter a tendência de redução do número de casos de covid-19 registrado nos últimos dias. "Temos assistido nos últimos dias tendência de redução de diagnósticos de pacientes com covid-19, como consequência, a diminuição na pressão do sistema de saúde, o que consequentemente nos dá diminuição de pressão de insumos, como kit intubação e oxigênio", disse. "O uso de máscara, evitar aglomerações é fundamental para que esse cenário se sustente no longo prazo, enquanto nossa campanha de vacinação vai sendo ampliada."

O crescimento recorde da pandemia de covid-19 no País tem dado os primeiros sinais de desaceleração. Registros divulgados pelo consórcio de veículos de imprensa nesta sexta-feira, 23, mostram que a média diária de mortes pela doença chegou ao sexto dia seguido de queda. A gravidade da situação, no entanto, se mantém, uma vez que a média segue em um patamar elevado, com 2,5 mil vítimas a cada 24 horas.

O ministro afirmou ainda que em sete dias foi ultrapassada a meta de vacinar mais de 1 milhão de brasileiros por dia. Segundo ele, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) do Sistema Único de Saúde (SUS) vai avaliar também um protocolo de tratamento da covid-19, mas não que é pelo uso de fármaco "A" o "B".

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