Reprodução|Estadão
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"Apostei na saúde e me dei bem", comemora publicitário

Homem mudou de vida há 25 anos e vê na água e na corrida o segredo de uma vida equilibrada

Estêvão Azevedo, O Estado de S. Paulo

31 Outubro 2016 | 07h00

Nos resultados dos exames de rotina do publicitário Ronaldo José dos Santos, de 55 anos, entre números, escalas e referências, nunca houve nada que chamasse atenção ou sugerisse que as coisas não iam bem com sua saúde. Colesterol normal, plaquetas, leucócitos, tudo sempre nos conformes, mas, mesmo assim, o publicitário entendeu, ao completar 30 anos, que havia chegado o momento de uma grande mudança. Decidiu que as constantes pontadas no peito, dores de garganta e ansiedade ficariam no passado, e que, dali em diante, levaria uma vida completamente diferente, mais saudável e ativa.

Fazia apenas um ano que ele havia se casado, e a rotina em casa, herdada de sua criação, compreendia o consumo de alimentos que, ele mais tarde perceberia, não contribuíam em nada com o bom funcionamento de seu organismo. O café, por exemplo, elevava seu nível de nervosismo a um patamar insuportável, transformando-o em um sujeito "nervoso ao extremo", como ele próprio define.

"Eu tinha todas as sequelas de ansiedade que se pode imaginar. Além disso, falar sobre pressão alta era corriqueiro na minha família toda, acreditando-se ser um fator genético. Na verdade, aquilo era, sim, uma bela desculpa para nos acomodarmos e não fazermos o que é necessário. Afinal, o consumo de energia de uma mudança é maior do que o de se ficar na zona de conforto", admite. 

Do cardápio sumiram, também, a carne vermelha, o leite longa vida e os refrigerantes. Hábitos como repetir as refeições ou acompanhá-las com a ingestão de líquidos, bem como o costume de caprichar nas quantidades postas no prato, jantar tarde e dormir de estômago cheio foram outras providências tomadas à época.

"Desde os meus 15 anos, comecei a prestar atenção no modo de vida que as pessoas viviam e eu apenas repetia sem pensar, tendo as mesmas consequências", relembra. "Tomei, então, a decisão de ter muita disciplina e amor próprio, percebendo que era possível levar uma vida melhor. Vi que uma boa saúde dependeria apenas de minhas ações, e não quis mais saber de conviver com enfermidades ou doenças".

A notícia de que uma reviravolta aconteceria foi bem recebida pela família de Santos - sua mulher à época e seus filhos, Luka Gabriel e Ronaldo Junior, hoje com 22 e 20 anos, respectivamente, apoiaram a decisão, principalmente porque, para eles, o publicitário sempre fora uma referência dentro de casa quando o assunto eram informações novas e interessantes. Segundo conta, ele sempre foi o "nerd" da família, o tipo de pai que desperta não só respeito, mas também admiração.

Já perante os colegas, no entanto, as coisas saíram um pouco diferentes. Nem tanto por conta dos cortes no menu, mas, sim, por uma mudança que, a princípio, não pareceria tão radical, mas que, para Santos, é a razão principal de sua imunidade invencível: a água. Dos esporádicos copos só quando sentia sede, ele saltou para três litros diários que, de acordo com sua experiência, "fizeram toda a diferença". 

"Faziam piadinhas a meu respeito, eu virei o cara que não bebe, o cara do suquinho, o cara da água. Como nunca me importei com esse tipo de brincadeira, segui em frente", comenta. "A sede é apenas 3% das necessidades do corpo. Os outros 97% aparecem em forma de doenças, que são um sinal de que algo não está indo bem. Minha meta diária virou tomar água enquanto estiver acordado. Com isso, senti drasticamente a mudança, muito mais qualidade de vida. Melhoria no sono, disposição, mais de uma década sem ter que recorrer a remédios. Ter todos os órgãos funcionando perfeitamente é meu maior prêmio por apostar numa vida saudável. E a parte física bem resolvida contribuiu muito para o aspecto mental". 

"A ingestão de água é fundamental para o equilíbrio hidroeletrolítico e metabólico do organismo", confirma o endocrinologista carioca Walmir Coutinho, que presidiu a Federação Mundial da Obesidade de 2014 até este ano. Ele explica que não há uma quantidade ideal para a população em geral, mas, sim, um volume indicado para cada caso. Ainda assim, o médico reforça que deixar para tomar um copo d'água apenas quando bater aquela sede desesperadora pode levar o corpo a um estado aquém do adequado. 

Hoje, na mesa de Santos têm lugar, além da bebida natural, alimentos ricos em fibras, frutas e carnes magras - tudo em pequenas quantidades, para "não sentir um tijolo dentro da barriga como antigamente". Além disso, o publicitário também procura ingerir shakes e suplementos que o ajudem na rotina de exercícios.

Além do futebol, que joga na posição de centro avante "sem cansar", ele também treina corrida três vezes por semana. Seu objetivo: participar da São Silvestre, maior corrida de rua da América Latina, que acontece há mais de 90 anos sempre no último dia do ano.

É doador de sangue voluntário, e orgulha-se de salvar, em média, 16 vidas a cada ano. Já seria algo louvável para qualquer pessoa, mas, no caso de Santos, tem um impacto ainda maior, já que, quando tinha 13 anos, ele foi atropelado e passou cinco dias em coma. "Tive uma segunda chance de viver, e aí eu disse: Deixa comigo, que vou encarar a vida de fato", conta.

Separado desde 2010, ele se diz um apaixonado por si mesmo, amante dos bons livros, música e arte. Para ele, o segredo da saúde e da felicidade moram no amor próprio e no respeito a todos que os rodeiam - além, claro, dos 12 copos d'água da manhã à noite. "Estar mais disposto, sem cansaço e perceber que meu metabolismo funciona como o corpo de uma criança é algo que não tem preço", avalia. "Apostei na saúde e me dei bem."

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