CLAY BANKS / UNSPLASH
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Aprender ao longo da vida faz bem. Veja como se organizar para isso

Conversas, viagens e livros oferecem a chance de ampliar o modo de ver a vida. Com atenção, dá para tirar proveito dessas situações

Isabella Abreu, Especial para o Estadão

19 de fevereiro de 2022 | 05h00

Quando foi a última vez que você aprendeu algo novo? Deu início a um projeto fora da sua área de atuação, experimentou algo diferente, começou um hobby inusitado, adquiriu conhecimento? A rotina agitada que levamos muitas vezes nos faz esquecer da importância de estar sempre aprendendo ao longo da vida, conceito conhecido como lifelong learning

Os argumentos em favor do aprendizado contínuo nunca estiveram tão fortes – seja para continuar relevante no mercado de trabalho, em meio à era da automação, ou simplesmente para fortalecer a capacidade de refletir profundamente diante de um mundo em rápida transformação. Aprender faz bem.

Para despertar a mentalidade de desenvolvimento constante, é importante entender que o processo de aquisição de conhecimentos e habilidades vai além de um sistema de ensino formal. “Aprender não está restrito a um ambiente escolar. A própria vida já é uma grande ‘professora’. Conversas, viagens, rotina, amigos… tudo isso nos ensina muito. É preciso perceber. E isso pode ser feito com pequenos hábitos, como uma reflexão semanal para notar o quanto se aprendeu ao longo do período”, sugere Vivian Rio Stella, idealizadora da VRS Academy, focada em soluções de aprendizagem colaborativas e criativas. 

Segundo Alex Bretas, especialista em Educação para o século 21 e autor do livro Crenças Escolarizantes: A Educação Heterodirigida e Tradicional Que Ainda Vive Em Você, são muitos os benefícios de assumir as rédeas do próprio desenvolvimento. O principal, na opinião dele, é ser capaz de se encantar com o que se aprende de uma maneira muito mais intensa e frequente do que na educação tradicional.

“Quando aprendemos de maneira autodirigida, estamos pessoalmente implicados no processo. Descobrir algo por si mesmo é um dos maiores prazeres humanos. E a vida nos dá infinitas oportunidades para isso, que são desperdiçadas quando permanecemos em aulas que não queremos estar e em cursos que nos sentimos obrigados a fazer”, afirma. 

Mas, por mais prazeroso que possa parecer, construir autodisciplina e comprometimento com relação ao percurso de aprendizado autodirigido costuma ser um desafio. “Além disso, realizar a própria curadoria de conhecimento, ou seja, navegar, selecionar, organizar e extrair valor das múltiplas fontes de informação costuma ser difícil. Fomos acostumados a receber essa curadoria pronta em aulas e cursos formais, então aprender a fazê-la por conta própria exige esforço”, diz Bretas.

COM EQUILÍBRIO

Antes de qualquer dica para quem quer aprender de forma mais efetiva, vale ressaltar que “uma pessoa cansada, alterada emocionalmente, estressada, ansiosa, dificilmente vai conseguir ter um aprendizado significativo”, alerta André Buric, especialista em neurociência comportamental e fundador do BrainPower.

E, para isso, a conduta é a que sempre ouvimos: precisamos cuidar da nossa qualidade de vida como um todo. Alimentação adequada, exercício físico, hidratação e, em especial, o descanso. “O sono é uma das partes essenciais no processo de consolidação daquilo que se aprendeu. Vejo muitas pessoas virando noites para ‘aprender mais’, mas, assim que acordam, percebem que não conseguem se lembrar de quase nada do que estudaram na véspera”, conta.

NA PRÁTICA

Após ter “se organizado”, é preciso arrumar o que está ao redor: seu material e local de estudo. Isso porque ambientes confusos e bagunçados geram ansiedade e preocupação, fora a dificuldade adicional de achar o que é necessário, no meio de distrações. “Cinco minutos organizando podem poupar horas de estudo sem nenhuma efetividade”, diz Buric. 

Para Clara Cecchini, consultora em aprendizagem e coautora, com Alexandre Teixeira, do livro Aprendiz Ágil: Lifelong Learning, Subversão Criativa e Outros Segredos Para Se Manter Relevante Na Era das Máquinas Inteligentes, o uso de papel e caneta é uma prática que podemos incorporar para ter mais resultados na hora de aprender. “Use como uma forma de visualizar os próprios pensamentos, refletindo a sua linha de raciocínio, fazendo sínteses e conexões com outros conteúdos”, explica.

Anotar à mão faz diferença, pois dessa forma usamos diversos processos cognitivos. Como não é possível anotar tudo o que ouvimos em uma aula, precisamos processar as informações e reformulá-las com as nossas palavras, o que facilita na compreensão e na retenção do que foi estudado.

A especialista também recomenda a Técnica Feynman, do cientista Richard Feynman, famoso por sua habilidade de aprender e de ensinar assuntos complexos de forma simples. A técnica do ganhador do Nobel de Física de 1965 tem quatro etapas: escolher um tema e anotar tudo o que sabe sobre ele; ensinar (ou fingir ensinar) para uma criança, com termos de fácil compreensão; identificar as lacunas na própria compreensão; revisar o trabalho e tentar simplificar ao máximo a linguagem, certificando-se de que está usando as próprias palavras (e não jargões do material estudado), exemplos e analogias.

O objetivo é organizar o conteúdo em uma história simples, que flui. Por fim, a pessoa pode ler em voz alta e, se ainda parecer confuso, pode ser uma indicação de que o entendimento não é total. Pode, então, estudar de novo e preencher as lacunas.

Repertório

  • Learning How to Learn

Em um dos cursos de maior sucesso da plataforma Coursera, é possível conhecer o funcionamento do cérebro ao se deparar com novas informações, métodos de memorização e fixação do conteúdo. Saiba mais em coursera.org/learn/learning-how-to-learn.

  • Oxygen Club

Ao escolher entre os três planos em myoxygen.com.br/br/oxygen-club, os assinantes passam a ter acesso a aulas, webinars, masterclasses, encontros online e uma newsletter semanal, sobre tendências em segmentos como tecnologia, inovação, cultura, consumo, negócios, entre outros.

  • TED

O canal do YouTube reúne as melhores apresentações da Conferência TED, ciclo de encontros em que nomes de referência em diversos campos do conhecimento são convidados a expor suas ideias em palestras de 18 minutos, todas baseadas no slogan “espalhando boas ideias”. Canal: youtube.com/c/ted.

  • Casa do Saber On Demand

O aplicativo tem cerca de 180 cursos de variados temas como artes, filosofia, história, literatura e atualidades. Veja em casadosaber.com.br.

  • 12min

A plataforma (12min.com/br), que possui um aplicativo compatível com Android e iOS, seleciona, lê e resume os pontos mais importantes de livros de não ficção. Como o nome sugere, a ideia é oferecer um resumo – por áudio ou texto – de até 12 minutos.

 Temas como foco, disciplina, tomada de decisão, otimização do tempo e criação de hábitos estão nos episódios desse podcast.

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