Aptidão para jogar videogame pode ser avaliada pela imagem do cérebro

Pesquisadores podem prever com precisão quão bem você fará uma tarefa complexa

estadão.com.br

14 Janeiro 2011 | 20h05

Pesquisadores americanos afirmam que podem prever "com uma precisão sem precedentes" quão bem você fará uma tarefa complexa, como jogar um videogame de estratégias, simplesmente ao analisar a atividade em uma região específica do cérebro.

Os resultados, publicados na revista científica online PLoS ONE, oferecem uma visão detalhada sobre as estruturas cerebrais que facilitam a aprendizagem, e podem levar ao desenvolvimento de estratégias adaptadas às forças e fraquezas individuais.

A nova abordagem usou técnicas de imagens cerebrais de uma maneira nova. Em vez de medir as diferenças na atividade cerebral antes e depois de os participantes realizarem uma tarefa complexa, os pesquisadores analisaram a atividade secundária nos gânglios basais, um grupo de estruturas conhecido por ser importante para a aprendizagem processual, movimentos coordenados e sentimentos de recompensa.

Usando ressonância magnética e um método conhecido como análise de padrão multivoxel, os cientistas encontraram diferenças significativas nos padrões de um determinado tipo de sinal magnético, chamado de T2, nos gânglios basais dos participantes. Essas diferenças permitiram que os pesquisadores previssem cerca de 55% a 68% da variância (diferenças de desempenho) das 34 pessoas que mais tarde aprenderam a jogar o game.

"Há muitos estudos, centenas talvez, em que analistas psicométricos - pessoas que fazem a avaliação quantitativa de aprendizagem - tentam prever, por meio de testes, quanto sucesso você terá em algo", disse a professora de psicologia e diretora do Instituto Beckman, Art Kramer, que liderou a pesquisa.

Esses métodos, juntamente com estudos que analisam a dimensão relativa de estruturas cerebrais específicas, tiveram algum sucesso na previsão do aprendizado, afirmou Kramer, "mas nunca chegaram a esse grau [de acerto] em uma tarefa tão complexa".

Depois de ter seus cérebros fotografados, os participantes passaram 20 horas aprendendo a jogar Fortaleza Espacial, um game desenvolvido pela Universidade de Illinois em que os jogadores tentam destruir uma fortaleza sem perder a própria nave em um dos vários perigos potenciais. Nenhum dos indivíduos tinha muita experiência com videogame antes desse trabalho.

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