Celio Messias/Estadão
Celio Messias/Estadão

Araraquara antecipa feriados, suspende transporte público e exige exame de covid de visitantes

Com as medidas semelhantes a um novo lockdown, prefeitura quer impedir entrada de turistas da capital, que tem recesso sanitário de dez dias, e evitar retrocesso no combate ao coronavírus

Everton Sylvestre, especial para O Estadão

31 de março de 2021 | 13h37
Atualizado 31 de março de 2021 | 17h31

ARARAQUARA - A partir desta quarta-feira, 31, a prefeitura de Araraquara suspendeu o transporte coletivo, fechou postos de combustíveis e, em barreiras sanitárias nas entradas da cidade e na rodoviária, fiscais exigem exame feito nas últimas 48 horas com resultado negativo para covid-19. A população também não pode circular sem justificativa. As medidas vigoram até domingo, dia 4. 

A administração municipal quer evitar que comemorações em função da Páscoa agravem a pandemia no município. A média móvel de novos casos por dia na cidade está em 69. Antes de adotar o lockdown na segunda quinzena de fevereiro, estava em 189.

Na sexta-feira, 26, data em que Araraquara não confirmou nenhum óbito por covid-19 após 44 dias consecutivos registrando no mínimo um, a prefeitura já havia anunciado a antecipação dos feriados de Corpus Christi e do Dia da Consciência Negra e dos Orixás para os dois primeiros dias de abril. Desde então, já estavam previstas a nova suspensão do transporte público e a adoção de barreiras nos acessos à cidade. 

“Tudo o que nós não queremos é a presença de mais pessoas, vindas de outros municípios, que possam estar infectadas e agravar a situação aqui, já que a gente está em um processo de recuperação”, afirma o coronel João Alberto Nogueira, secretário de Cooperação dos Assuntos de Segurança Pública.

Na tarde da terça-feira, 30, a prefeitura apresentou esclarecimentos sobre às medidas e incluiu a decisão de fechar os postos de combustíveis nesses cinco dias. Entre o fim da tarde e à noite, houve filas para abastecer. 

A servidora pública Caroline Silva concorda com as ações da prefeitura e acredita que a administração está tentando o que pode para conter a curva de infecções, mas foi surpreendida pelo fechamento dos postos. “Fui às pressas abastecer para não ficar sem combustível. O posto perto da minha casa ficou com uma fila gigante. À noite, encontrei um posto um pouco mais vazio, mas peguei uma pequena fila também”, diz.

Na manhã desta quarta-feira, 31, vários postos de combustíveis permaneciam abertos e os donos foram orientados por fiscais da prefeitura sobre a necessidade de fechar. Segundo o prefeito Edinho Silva (PT), por conta da confusão que o fechamento dos postos gerou, o comitê de contingenciamento voltou a se reunir durante o dia e esse item foi revisto, mantendo as demais medidas. A força-tarefa realiza barreiras nas entradas da cidade, fiscalização do comércio e de chácaras (não são permitidas reuniões de mais de cinco pessoas). O município aplica multas de R$ 6 mil para descumprimento de medidas. Pela nova determinação, postos podem funcionar até as 18h nos dias 31, 1º e 3, até às 14h no dia 2 e devem fechar no domingo.

Curva decrescente de casos de covid

“Não queremos perder aquilo que nós já ganhamos: uma queda importante na curva de contaminação, na ocupação de leitos. O comitê, de forma preventiva, achou por bem aumentar as medidas de restrição nesse período”, afirma Edinho. Segundo o prefeito, o alerta do comitê levou em conta que houve aumento da circulação de pessoas de outras cidades. Nas fiscalizações que a prefeitura continuou realizando durante esse período de fase crítica no Estado de São Paulo, a força-tarefa constatou esse aumento.

Edinho também menciona o aumento no fluxo de pessoas deixando a capital - que tem sequência de dez dias de feriados para buscar frear a transmissão do coronavírus - em sentido ao interior. “Araraquara está em uma curva decrescente de infecção, São Paulo está em curva ascendente. O contato de infectados assintomáticos com pessoas saudáveis pode levar a uma nova curva de crescimento. Seria uma terceira onda em Araraquara”, afirma.

O decreto vigente determina que a população somente circule por motivos essenciais, como deslocamento para trabalhos que não podem ser interrompidos, necessidade de atendimento de saúde e aquisição de alimentos. A força-tarefa da prefeitura pode parar as pessoas que estiverem circulando pela cidade e exigir documentos que comprovem a necessidade. Ao contrário do ‘lockdown total’ adotado em fevereiro, desta vez os supermercados podem atender presencialmente, até as 20h e no domingo até as 13h.

O prefeito lembra que para os supermercados o período da Páscoa é o segundo do ano em que há maior movimento. Ele considera que seria mais difícil o aumento de restrições neste feriado nas cidades de São José do Rio Preto e de Ribeirão Preto, que fizeram contato com Araraquara para saber sobre a experiência do lockdown e implantaram as medidas mais recentemente - em São José do Rio Preto, o período de 15 dias termina nesta quarta-feira, 31. Mas a prefeitura de Araraquara fez contato com outras cidades da região para articular as medidas de agora e não obteve a adesão almejada.

Dos 195 internados em Araraquara por covid-19 na terça-feira, 30, 83 são de Araraquara. Entre os pacientes de outras cidades, há 34 de São Carlos. A prefeitura de São Carlos confirmou, em nota, que participou nesta semana de uma reunião entre os municípios da Diretoria Regional de Saúde (DRS), que tem sede em Araraquara, mas que não considera adotar o lockdown sem que seja proposto pelo governo do Estado. “O distanciamento social deve ser o foco de cada cidadão. Se cada um fizer a sua parte, usando máscara e promovendo a higienização correta, os riscos serão minimizados”, diz a nota.

Gratificação para fiscalização

Nesta semana, os servidores da prefeitura de Araraquara que atuam na fiscalização sobre a pandemia passaram a acumular pontos para gratificação. Cada ação de fiscalização, como verificar número de pessoas presentes no estabelecimento, aglomerações e aplicação de penalidades gera de uma a dois pontos para o agente. O teto da gratificação é de R$ 1.216 para o funcionário que atingir 1216 pontos. Os que não atingirem devem receber proporcionalmente. Nas últimas semanas, a administração continua recebendo uma série de denúncias de aglomerações.

Segundo a prefeitura, a gratificação objetiva fiscalização contundente de situações de aglomerações em festas clandestinas, reuniões em residências e em áreas de lazer e praças, não uso de máscara, não cumprimento da quarentena por pessoas que estão contaminadas. “A Prefeitura reconhece todo o esforço das cadeias econômicas no intuito de seguir as regras sanitárias, colaborando sobremaneira com a redução do número de contaminação em Araraquara”, observa a nota.

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