Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Área de recomendação de vacina contra febre amarela será ampliada

Ministro da Saúde lembrou que, no passado, cidades consideradas livres de risco foram afetadas pelo surto da doença

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

04 Janeiro 2018 | 20h34

BRASÍLIA - A área de recomendação de vacinação contra febre amarela deverá ser novamente ampliada. A ideia, de acordo com o ministro da Saúde, Ricardo Barros, é tornar mais rígidos os padrões que hoje são utilizados. “Queremos nos  antecipar ao risco”, disse.

Ele lembrou que no ano passado, quando o País foi afetado pelo pior surto da doença em toda a história, casos foram identificados em cidades consideradas livres de risco e, consequentemente, com uma baixa cobertura vacinal. Vacinações de bloqueio foram feitas, mas não impediram o aumento de casos.

O plano de ação deverá ser apresentado na próxima semana. A ação prioritária em análise é o fracionamento de doses da vacina. Nessa estratégia, cada pessoa recebe uma dosagem menor do imunizante do que a medida tradicional. Ano passado, foram comprados 20 milhões de seringas usadas especialmente para o fracionamento. Na época, o insumo não foi usado. Desse total, 9 milhões já foram enviados para São Paulo, que deverá fazer a vacinação com doses fracionadas em duas campanhas, programadas para a primeira e última semana do mês de fevereiro. Bahia e Rio deverão também anunciar o fracionamento.

 

Barros assegurou não haver problemas com fornecimento do imunizante, produzido por Biomanguinhos. Em São Paulo, conforme o Estado mostrou, o fracionamento foi decidido justamente pela necessidade de expandir a área de cobertura da vacina. O coordenador de Controle de Doenças da Secretaria de Saúde de São Paulo, Marcos Boulos, afirmou que a estratégia no Estado será ofertar para população tanto a vacina integral quanto a fracionada. Essa última será aplicada em regiões que entram para a área considerada de risco, como litoral norte e cidades próximas.

A vacina fracionada contém um décimo da dosagem da vacina integral. O modo de aplicação também é diferente. Profissionais de saúde já foram treinados para fazer a operação, sobretudo em São Paulo. Inicialmente, o uso da vacina fracionada provocava grande resistência de médicos infectologistas, principalmente por causa da sua duração. A proteção estimada era de 1 ano, enquanto a vacina integral é por toda a vida. O uso da vacina fracionada, no entanto, ganhou força no fim do ano passado, com a divulgação de estudos que indicam que a proteção chega a 9 anos. “Esse foi o período de acompanhamento de pessoas vacinadas. Essa observação será mantida. Pode ser que o tempo de proteção supere até mesmo a marca dos 9 anos”, afirmou Boulos ao Estado, em entrevista realizada semana passada.

 

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