'Área do cérebro pode ser gatilho da crise de enxaqueca'

Estudo francês analisou atividade no hipotálamo durante crises.

BBC Brasil, BBC

25 de dezembro de 2007 | 16h15

Cientistas franceses analisaram a atividade de uma região do cérebro chamada hipotálamo, que regula alguns processos metabólicos, durante crises de enxaqueca e afirmam que o estudo pode ajudar a desvendar as causas da doença crônica. Os cientistas do Hospital Rangueil, em Toulouse, compararam a atividade cerebral de sete pacientes que sofriam de enxaqueca sem aura, o tipo mais comum da doença, através da Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET, na sigla em inglês). Os resultados revelam uma atividade na região do hipotálamo no cérebro dos pacientes durante a crise de enxaqueca. Para os pesquisadores, a atividade no hipotálamo pode ser o "gatilho" para o início da crise de enxaqueca. "Suspeitamos que o hipotálamo exerça uma função importante no início das crises", diz Marie Denuelle, que liderou o estudo. "Mas, para provar essa relação, precisamos fazer um estudo similar nos pacientes antes do início dos ataques", afirma a pesquisadora. O estudo, publicado na revista científica Headache, pode ajudar no desenvolvimento de novos tratamentos para a enxaqueca. Disfunção cerebralO hipotálamo já foi citado em estudos anteriores sobre a doença, pois é um dos principais centros de processamento do cérebro e responsável por regular as respostas do corpo humano a fatores que despertam as dores de cabeça, como a fome, por exemplo. Além disso, cientistas já haviam observado atividade no tronco cerebral e no cérebro intermediário e um engrossamento do córtex em pacientes que sofriam de enxaqueca. Para os pesquisadores, no entanto, o novo estudo oferece uma análise mais detalhada sobre as causas da enxaqueca porque a crise não foi induzida pelos cientistas. Além disso, o estudo sugere que o momento da tomografia foi crucial para os resultados, já que os pacientes foram ao hospital logo no início do ataque e foram analisados em até três horas depois do início da dor. "Quando se induz o ataque, não se percebe a atividade do hipotálamo" diz Denuelle. Para Andrew Dowson, diretor de pesquisa sobre dores de cabeça do Hospital King's College, "há muitos anos se sugere que o hipotálamo está envolvido nos estágios iniciais dos ataques de enxaqueca". "No entanto, outros fatores também estão envolvidos no início das dores de cabeça", diz o diretor. Dores fortesA atividade no hipotálamo já havia sido observada em outro tipo de dor de cabeça - a cefaléia em salvas, considerado o tipo mais forte de dor de cabeça. O novo estudo sobre a atividade do hipotálamo na enxaqueca pode explicar porque alguns medicamentos usados para tratar a enxaqueca podem ser efetivos para parar os ataques da cefaléia em salvas. Os ataques são tão fortes e deixam os pacientes debilitados de tal forma que as dores já foram chamadas de "dores de cabeça suicidas", já que alguns dos pacientes que sofreram da síndrome chegaram a tirar suas vidas por causa das dores. Para Peter Goadsby, do Instituto de Neurologia do University College, de Londres, apesar da atividade do hipotálamo, há diferenças clínicas e fisiológicas entre a cefaléia em salvas e a enxaqueca. "A área do hipotálamo que o estudo indicou ser ativada na enxaqueca é cerca de dez milímetros mais frontal que a afetada pela cefaléia em salvas". Segundo ele, não há uma estrutura "sagrada" única para a causa da enxaqueca. "É fácil pensar que a enxaqueca é uma disfunção cerebral específica, mas é uma disfunção em sistema, que envolve várias estruturas", diz o pesquisador.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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