Áreas afetadas por ebola só receberam dois terços de doações

Áreas afetadas por ebola só receberam dois terços de doações

Estudo mostra que US$ 2,89 bilhões foram enviados a países afetados pela epidemia, mas só US$ 1,9 bilhão chegou ao destino

Fábio de Castro, O Estado de S.Paulo

03 Fevereiro 2015 | 22h54

SÃO PAULO - Apenas dois terços das doações humanitárias para a epidemia de Ebola chegaram aos países afetados, de acordo com estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Nova York. O estudo, publicado hoje na revista científica British Medical Journal, mostra que as doações foram de US$ 2,89 bilhões, mas só US$ 1,9 bilhão chegou ao seu destino. Segundo os autores, os atrasos no desembolso dos recursos pode ter contribuído para o alastramento do vírus e aumentado as necessidades financeiras locais.

Utilizando o sistema de rastreamento financeiro do Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários, os pesquisadores examinaram o nível e a velocidade do fluxo de doações para a epidemia de ebola, comparando esses parâmetros com as previsões de recursos necessários para controlar a epidemia.

No dia 23 de março de 2014, o ministro da Saúde da Guiné notificou a Organização Mundial da Saúde (OMS) de um "surto de ebola com evolução rápida" no sudeste do país. Uma semana depois, a OMS enviou à Guiné uma doação inicial de equipamento de segurança e outros suprimentos médicos.

No entanto, o primeiro pedido de ajuda de grandes proporções à comunidade internacional só aconteceu em agosto, quando a OMS e os presidentes da Libéria, Serra Leoa e Guiné solicitaram a doadores internacionais de US$ 71 milhões como apoio para o controle da epidemia.

No dia 16 de setembro de 2014, cerca de seis meses depois do início do surto, a ONU estimava que a assistência humanitária chegaria a US$ 1 bilhão. No meio de novembro, o pedido oficial de financiamento era estimado em US$ 1,5 bilhão.

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"Ficou evidente que os líderes internacionais consideraram difícil estimar as solicitações financeiras para poder lidar rapidamente com o alastramento da epidemia", disse a coordenadora do estudo, Karen Grépin, professora de Políticas Globais de Saúde na Universidade de Nova York. Os dados do estudo, segundo ela, não permitem que a velocidade dos desembolsos seja comparada com a de outras crises humanitárias. 

Mesmo assim, segundo ela, os resultados sugerem que é preciso criar um mecanismo para tornar mais rápido o desembolso de recursos para lutar contra ameaças à saúde pública como o ebola. "Seria preciso criar algo como um fundo que pudesse ser rapidamente acionado em casos de emergência desse porte", afirmou a pesquisadora. "Monitorar e rastrear as respostas dos doadores à epidemia - e como os recursos foram gastos - é importante para melhorar nossa resposta a futuras ameaças à saúde pública. Aprender com essa experiência nos ajudará a entender o que funcionou e o que deu errado nessa epidemia", declarou.

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