Argentina faz vacina mais barata contra o HPV, que causa câncer de colo do útero

Método foi testado com sucesso em ratos; doença mata 2 mil mulheres por ano no país

04 Outubro 2010 | 17h24

BUENOS AIRES - Cientistas argentinos desenvolveram uma vacina mais barata contra o vírus do papiloma humano (HPV), um dos causadores do câncer de colo do útero, doença que mata cerca de 2 mil mulheres por ano no país.

A aplicação foi realizada "com tecnologia local" e tem um custo menor que as duas vacinas disponíveis na Argentina, importadas dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, explicou Gonzalo Prat Gay, diretor do Laboratório de Estrutura, Função e Engenharia de Proteínas da Fundação Instituto Leloir, de Buenos Aires, que iniciou uma negociação com farmacêuticas para que a vacina contra o HPV seja testada em humanos.

Os especialistas da fundação e do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet) desenvolveram um modo de produzir uma dose diferente da atual, comprovada "com sucesso" em ratos, segundo Gay.

"Usamos um método de cultivo mais barato, por meio de um conjunto químico de proteínas", disse o pesquisador da Fundação Instituto Leloir. Dessa maneira, os cientistas conseguiram encaixar uma partícula idêntica ao HPV, embora sem informação genética, para o sistema imunológico reagir como se estivesse frente a um vírus e gerar anticorpos.

Gay calculou que, "em dois ou três anos, a vacina poderia estar no mercado, porque os teste em humanos levam muito tempo". "A incidência do câncer de colo do útero se quintuplica em países em desenvolvimento. E é muito difícil que uma vacina cara seja usada, mas, a longo prazo, a existência de uma alternativa pode fazer com que as outras reduzam o preço", avaliou o pesquisador.

O câncer de colo do útero está entre as dez principais causas de morte de mulheres na América do Sul, segundo autoridades de saúde.

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