Argentina vai dar desconto para brasileiros visitarem o país

Objetivo é tentar recuperar o prejuízo provocado pela epidemia da gripe A (H1N1), que espantou os turistas

Marina Guimarães, Agência Estado,

10 Julho 2009 | 12h49

O setor de Turismo da Argentina prepara pacotes especiais com reduções de tarifas em hotéis, passagens aéreas e serviços para atrair os brasileiros. O objetivo é tentar recuperar o prejuízo provocado pela epidemia da gripe A (H1N1), que espantou os turistas.

 

A informação foi dada pela diretora do Instituto Nacional de Promoção ao Turismo (Inprotur), equivalente à Embratur, Patrícia Molina, em entrevista à Agência Estado. "Estamos desenvolvendo várias ações para reverter os cancelamentos das viagens dos brasileiros à Argentina, mas a principal ação vai ser o reforço com as promoções depois de julho, que é o mês mais complicado por essa situação da gripe", disse Molina.

 

 

"Estamos analisando promoções com tarifas mais atraentes e propaganda para transmitir aos brasileiros as medidas de prevenção que os destinos turísticos da Argentina estão aplicando", revelou. O assunto vai ser discutido na próxima segunda-feira pelo comitê de monitoramento criado pelo Inprotur, do qual fazem parte representantes do governo e das câmaras ligadas ao turismo. "Vamos avaliar o impacto provocado pela Gripe A no setor e planejar uma estratégia de ação", afirmou Molina. O comitê vai se reunir a cada dois dias para acompanhar as medidas que vão ser adotadas.

 

A coordenadora de promoção de turismo nos mercados dos países do Mercosul, em especial do Brasil, Marcela Cuesta, disse que "a imprensa exagera na cobertura sobre a gripe e gera pânico na população". Ela considera que o tratamento que a imprensa dá à epidemia em seu país é diferente da cobertura sobre o México ou os Estados Unidos, que têm muito mais mortes e mais contágios.

 

"Estamos preocupados com o turista brasileiro que deixa de vir para a Argentina por causa de informações exageradas e transfere sua viagem para Miami, onde as mortes e os contágios são maiores do que aqui, como nos relatam os operadores brasileiros", diz Cuesta.

 

"Estamos fazendo uma campanha para instalar a tranquilidade na sociedade brasileira de que o que acontece na Argentina está sob controle e é uma situação normal: não tem ninguém andando de máscara na rua e as atividades continuam dentro da normalidade", afirmou. Em excelente português, Cuesta reconhece que "o movimento nessas férias é menor porque estão faltando os brasileiros". O Inprotur não antecipa cifras, mas os cálculos iniciais dos agentes de turismo apontam para uma queda de 50% de brasileiros nas últimas semanas.

 

A temporada de inverno na Argentina é a principal fonte de recursos do setor de turismo. Os visitantes brasileiros são fundamentais para que os operadores possam avaliar a temporada como um sucesso ou um fracasso. O país recebe cerca de 400 mil brasileiros durante o inverno, destes, pelo menos 300 mil buscam o que não têm no Brasil: neve e esqui. Os demais restringem a visita a Buenos Aires ou fazem rápidas viagens de negócios.

 

A forte presença dos brasileiros em Bariloche, onde se encontra o maior centro de esqui argentino, é tradicional e já rendeu à cidade o apelido de "Brasiloche". A Embaixada do Brasil chegou a abrir um consulado temporário na cidade de Bariloche para atender às demandas dos turistas brasileiros durante as férias de inverno. Em 2008, Bariloche recebeu 250 voos charter, além dos voos comerciais semanais, do Brasil. Nessa semana, a Gol revelou que o número de passageiros nos voos do Brasil para Buenos Aires caiu para a metade. A companhia admitiu que está pensando em reduzir alguns dos 14 voos diários para a Argentina.

 

Na quinta, o Ministério de Saúde emitiu uma nova atualização do boletim médico oficial que informa a morte de 87 pessoas por causa da gripe A. O ministro Juan Manzur repetiu na última quarta-feira que o vírus H1N1 já afetou entre 105 mil a 107 mil pessoas no país.

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