Arqueólogos afegãos encontram sítio budista em cenário de guerra

O sítio arqueológico se estende por mais de 12 quilômetros na região de Aynak, província de Logar

SAYED SALAHUDDIN, REUTERS

17 de agosto de 2010 | 10h58

Arqueólogos do Afeganistão, onde militantes islâmicos do Taliban combatem forças estrangeiras e do governo, descobriram restos da era budista numa área ao sul de Cabul, disse uma autoridade na terça-feira.

"Há um templo, estupas (torres), belas salas, estátuas grandes e pequenas, duas delas com sete e nove metros de comprimento, afrescos coloridos, ornamentados com ouro, e algumas moedas", disse Mohammad Nader Rasouli, diretor do Departamento Arqueológico Afegão.

"Algumas das relíquias remontam ao século 5o. Nos deparamos com sinais de que há itens que remontam à era antes de Cristo ou à pré-história", disse ele. "Precisamos de assistência estrangeira para preservar isso, e seu conhecimento para nos ajudar com novas escavações."

O sítio arqueológico se estende por mais de 12 quilômetros na região de Aynak, província de Logar, um pouco ao sul de Cabul. Nessa mesma área a China está extraindo cobre, como parte de seus bilionários investimentos no país.

Rasouli disse que a mineração não danificou o sítio - que já era conhecido, embora não houvesse sido examinado em detalhes -, mas que contrabandistas saquearam e destruíram algumas relíquias antes do início das escavações, no ano passado.

Na época em que o Taliban governava o Afeganistão (1996-2001), os religiosos radicais destruíram os gigantescos Budas de Bamyan, por entenderem que as estátuas eram uma afronta ao Islã.

Muitos outros sítios históricos foram destruídos ou pilhados durante décadas de guerras civis e intervenções estrangeiras.

Hoje quase totalmente muçulmano, o Afeganistão já passou, durante sua longa história, por períodos em que os credos dominantes eram o hinduísmo, o budismo e o zoroastrismo.

Rasouli disse que o governo não tem recursos para transferir as relíquias do lugar onde estão, que tem registrado alguns confrontos armados. Segundo ele, a intenção é no futuro construir um museu no local.

(Reportagem de Sayed Salahuddin)

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