Arqueólogos encontram cemitério pré-colombiano no Panamá

Escavações encontraram túmulos com cerca de mil anos de idade; restos mortais tinham metais preciosos

Efe,

15 de dezembro de 2011 | 16h22

Um cemitério pré-colombiano de pessoas de destaque na sociedade com entre 700 e mil anos de antiguidade foi encontrado no Parque Arqueológico El Caño, que fica na província de Coclé, no centro do Panamá.

 

Os arqueólogos encontraram seis túmulos, das quais foram escavadas quatro, onde estavam depositados 25 restos mortais. "O maior tem uns cincos metros de comprimento por 3,5 de largura, e nele há pelo menos 25 corpos, um deles aparentemente de uma pessoa muito importante, porque estava coberto de ouro e cobre, com artefatos feitos de ossos de animais e pedras", relatam os arqueólogos.

 

As escavações começaram em 2006, numa área de 5 mil metros quadrados, mas os primeiros achados só foram registrados em 2008 e 2009. Os arqueólogos encontraram primeiro restos carbonizados das estruturas de madeira que cobriam alguns dos túmulos e, no ano seguinte, foram encontrados os restos do enterro de um bebê.

 

"Sabíamos que tínhamos algo grande nas mãos em função das leituras e da documentação dos sítios similares, como o Sítio Conte, que era um cemitério de chefes ou de pessoas da alta sociedade", dizem os especialistas. Sítio Conte, também na província de Coclé, foi explorado por arqueólogos americanos em 1940 e fica a 2,5 quilômetros ao sul do Rio Grande, área onde está El Caño.

 

Os arqueólogos afirmaram que as peças estão em processo de análise para investigar a relação entre sitio Conte e El Caño, porque os restos encontrados nos dois lugares são da mesma época.

 

"Pensávamos que sitio Conte era um local excepcional e que El Caño era uma área onde se coordenavam atividades econômicas, sociais e política, ou um centro de cerimônias", dizem os especialistas.

 

O cemitério encontrado em El Caño foi utilizado durante aproximadamente 300 anos e, ainda que não se saiba com precisão que grupo ou sociedade ocuparam a área, acredita-se que foi um grupo cuja identidade pode ser rastreada no Panamá entre o Golfo de Montijo, na província de Veraguas, e a cidade do Panamá, a partir do ano 150 depois de Cristo até a conquista dos espanhóis.

 

"Não conhecemos o nome desse grupo e talvez não o conheçamos, mas seus sinais e identidade são as que estão enterradas nos sítios arqueológicos desse período, na região central do Panamá.

 

A descoberta será reportagem de capa da revista National Geographic para América Latina em janeiro de 2012.

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