Arqueólogos encontram sinais de massacre há mais de 100 anos nos EUA

Trabalhadores irlandeses teriam sido mortos em meio a epidemia e sepultados em vala comum

Associated Press

16 de agosto de 2010 | 19h18

Crânio fendido encontrado em cova coletiva de trabalhadores imigrantes. Jacqueline Larma/AP

 

Jovens e fortes, 57 imigrantes irlandeses começaram um trabalho árduo em 1832, na estrada de ferro Philadelphia and Columbia, nos EUA. Semanas depois, todos haviam morrido de cólera - mas teria sido mesmo cólera?

 

Dois crânios encontrados numa provável vala comum perto de Filadélfia mostram sinais de violência, incluindo um possível buraco de bala. Outro par de crânios, encontrado anteriormente, também apresentava traumas, aparentemente confirmando as suspeitas dos historiadores que chefiam a escavação arqueológica. "Isto foi muito mais que uma epidemia de cólera", disse William Watson.

 

Watson, chefe do departamento de História da Universidade Immaculata, e seu irmão gêmeo Frank vêm trabalhando há quase dez anos para resolver o mistério de 178 anos.

 

Preconceito contra os irlandeses fez dos EUA um lugar perigoso para esses trabalhadores no século 19. Eles viviam na mata, numa favela perto dos trilhos.

 

Os Watsons e sua equipe encontraram sete conjuntos de restos humanos desde que a escavação começou, em março de 2009, depois de anos de buscas pelos túmulos dos homens. Uma das vítimas foi identificada, faltando apenas a confirmação por exame de DNA.

 

Os irmãos têm a hipótese de que muitos dos trabalhadores sucumbiram à cólera, uma infecção disseminada por água e alimento contaminado. A doença era epidêmica na época, com taxa de mortalidade que chegava a 60%.

 

Os demais imigrantes, os pesquisadores supõem, foram mortos por justiceiros por causa do preconceito contra os irlandeses, tensão entre os moradores ricos e os trabalhadores pobres e o medo da disseminação da cólera. 

 

Agora, a teoria recebe apoio dos quatro crânios encontrados, que indicam que os homens receberam golpes na cabeça. Pelo menos um parece ter sido baleado, disse a antropóloga Janet Monge.

 

Os Watsons descobriram o caso dos trabalhadores em 2002, nos documentos pessoais de seu avô, que trabalhou para a ferrovia muito depois das mortes. A pesquisa gira em torno de Philip Duffy, que havia contratado os irlandeses para construir um trecho de ferrovia.

 

Quando os imigrantes morreram em 1832, Duffy ordenou que a favela fosse queimada, por questões sanitárias, e que os corpos fossem sepultados no aterro na estrada de ferro. As famílias nunca ficaram sabendo do destino dos homens.

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