Arthur não pode mais receber coração de anencéfalo

Com 3,8 quilos e às vésperas de completar três meses de vida, o bebê Arthur, filho de um casal de engenheiros carioca, permanece na fila por um transplante de coração. Embora já não possam mais contar com a doação de um recém-nascido anencéfalo, livrando-os da polêmica em torno do assunto, os pais esbarram na mesma dificuldade de mais de 60 mil brasileiros que aguardam um órgão: o baixo número de registros de morte encefálica. Em 2004, foram 5.073 notificações, 53% do total estimado pelo Ministério da Saúde. "Tudo o que o médico precisa fazer é levantar o telefone do gancho e comunicar a morte encefálica à central de transplantes. Não precisa sequer conversar com a família para saber se a doação vai ser autorizada. Isso quem faz é a equipe da central. Ainda assim, a notificação é baixa", avalia o pai de Arthur, Rafael Paim. Arthur saiu da Unidade de Terapia Intensiva para um quarto do Hospital Pró Cardíaco há duas semanas. Mas seu quadro ainda é grave, pois ele depende de aparelhos para respirar. "Por quatro vezes, retiramos o tubo, mas ele precisou novamente. Seu coração é muito frágil. Não sabemos quanto tempo ele pode suportar sem um novo coração, é como uma bomba relógio", diz Rafael. Com o ganho de peso, Arthur já não tem mais condições de receber o coração de um bebê com anencefalia (anomalia que impede o crescimento total do cérebro), que seria muito pequeno. Ele depende agora de um doador mais "velho", que tenha entre 4 kg e 9 kg. "Se o médico não notifica, nada acontece. Houve um caso em que a criança estava com morte encefálica há 16 dias e o médico não comunicou. Não consigo entender", diz Rafael.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.