Marcos Muller / Editoria de Arte
Com a dor de uma perda ou após a contaminação, brasileiros têm mudando de comportamento em relação à pandemia Marcos Muller / Editoria de Arte

As histórias de quem abandonou o negacionismo em meio à piora da pandemia de covid

Tomada de consciência costuma ocorrer após a dor de uma perda ou pós-contaminação; no momento em que o País vive o auge da crise sanitária, pessoas relatam que não tinham pensado nas consequências e imaginavam que estavam seguras

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2021 | 14h00

A ficha cai. O mundo dá voltas. As pessoas mudam. Apesar das notícias falsas, das teorias conspiratórias ou daquela certeza infundada de que “isso nunca vai acontecer comigo”, ninguém está condenado a viver eternamente na sombra do negacionismo. O problema é que, em meio ao turbilhão do nosso pior momento da covid-19, essa tomada de consciência costuma ser alimentada pela dor.

No início da pandemia, Denise da Silva Arco, de 32 anos, nem sequer aceitava a ideia de fazer home office. “Não queria ficar em casa, não queria redução de jornada, reclamei muito. Encarei como se fosse apenas mais um vírus desses que passam e a gente nem se dá conta”, confessou. Apesar das circunstâncias que a obrigaram a respeitar o isolamento, Denise esperou o primeiro alívio nos números de mortes em São Paulo para voltar à vida quase normal no ano passado. “Saí de casa, fui para bares, festas”, enumerou.

No fim de 2020, Denise recebeu a notícia da morte de sua avó, que morava no interior. O velório foi na cidade de Jales e reuniu toda a família. Naquele momento, primos, tios e sobrinhos decidiram realizar aquele que teria sido um último desejo da matriarca: uma noite de réveillon em que todos estivessem juntos. “Não pensamos nas consequências. Estávamos seguros de que o pior já havia passado”, falou.

E foi o que aconteceu. Dezessete pessoas dividiram o mesmo teto na noite do dia 31 de dezembro. Entre elas, um primo que estava infectado e não sabia. O resultado é que muitos dos presentes começaram a sentir os sintomas da covid poucos dias depois da festa. De todos, três evoluíram para situações mais graves. O tio de Denise foi entubado, pegou uma infecção nos rins e, com apenas 51 anos, morreu. 

“Foi angustiante. É angustiante. Agora, vem um sentimento de culpa. Queria tirar essa dor dos meus familiares com minhas mãos. O que posso fazer agora é tomar todos os cuidados, usar máscara, não compartilhar objetos, tudo o que eu puder fazer para proteger a minha família eu vou fazer”, desabafou. 

O empresário Cláudio Alex Aires Hermes, de 45 anos, tinha acabado de assistir ao filme O Jardineiro Fiel quando a pandemia começou. Assim como no filme, Hermes relacionou a pandemia com a principal vilã do filme, a indústria farmacêutica. “O filme fala sobre uma manipulação do mercado, na criação de um vírus. Achei que era coisa de governo, de política mesmo. Achei que era conspiração, balela, gripezinha... Cheguei até a brigar com minha mulher e filha por causa disso. Falei muita bobagem”, disse.

Despreocupado, Hermes participou de uma reunião de empresários em Balneário Camboriú, um tipo de encontro para troca de cartões e networking. “Ninguém estava usando máscara. Ninguém estava ligando para a situação. Sai de lá com um sentimento ruim”, lembrou. Depois de 3 ou 4 dias, ele começou a sentir os sintomas daquilo que se confirmaria como covid-19.

“Quando a coisa pegou, eu já não levantava mais da cama. Sentia o corpo pesado, debilitado. Perdi o paladar, não tinha fome. O olfato zerou. Comecei a sentir formigamentos nos braços e pernas. Tive medo de angina. Fiquei trancado no meu quarto por 15 dias”, contou Hermes.

No quarto, ele ficou deprimido, apavorado, perdeu 6 quilos e achou que ia morrer. Felizmente, sobreviveu. “Eu passei por tudo isso. Eu entendi o que é essa doença. Minha mulher e filha pegaram, mas já estão bem. Mudei completamente a minha visão. Hoje, me cuido. Hoje, cuido dos outros também”, disse Hermes.

O influenciador gastronômico André Varella, de 30 anos, foi pelo mesmo caminho. No início, acreditou na teoria de que se tratava de um plano chinês para dominar o mundo. “Era mais fácil acreditar nesta baboseira do que encarar a realidade”, falou. “Tive esse momento de desacreditar, de desconfiar de tudo. Achava que era muito fogo para pouco incêndio”, completou.

'A doença não é sobre mim, mas sobre os outros'

No meio do ano passado, Varella pegou a doença. Não foi muito grave, mas o suficiente para acender um sinal de alerta. “Comecei a me cuidar. No fim do ano passado, achei que já tínhamos escapado. Mas, quando vi hospitais com mais de 100% de ocupação, hospitais particulares, eu voltei a me preocupar. Se está ruim para mim que tenho um bom plano de saúde, imagina para a maioria da população”, comentou. “Agora eu entendi que a doença não é sobre mim, mas sobre os outros, sobre o cuidado que devemos ter uns com os outros”, finalizou.

Segundo a empresária Maíra Bassinello Stocco, de 42 anos, o município de Santa Cruz das Palmeiras, cidade com pouco mais de 30 mil habitantes no interior de São Paulo, não levava a covid muito a sério no início da pandemia. “Muitos achavam que era hipocrisia, que tudo era exagero. Tudo se manteve aberto, quase ninguém usava máscaras. Minha família mesmo levou uma vida normal por muito tempo. Até que um dia... a pandemia chegou como uma avalanche”, disse. 

Na cidade, começaram a morrer pessoas próximas, até três pessoas por dia. Maíra perdeu parentes, amigos próximos, amigos jovens que precisaram ser intubados. “A gente mudou de vida. Meu filho não vai mais na aula. Morreram muitas pessoas nos últimos dois meses. A incerteza tomou conta das nossas vidas”, disse. “Nós temos de aprender com que está acontecendo, aprender a se colocar no lugar do próximo”, completou.

O aposentado Carlos Alberto Leitão, 63 anos, era uma das pessoas que não se importavam muito. Não que ele não acreditasse na doença, mas porque era uma pessoa ativa, que fazia caminhadas, hidro, ioga... “Até que senti uma coisinha e achei que era alergia. Era tosse, rinite... A coisa só mudou quando minha filha me levou para uma UBS. Lá descobri que 50% do meu pulmão já estava comprometido”, disse. “Eu não brincava com a doença, mas achei que não aconteceria comigo. Teve hospital, UTI, mas sobrevivi. Minha filha me ajudou muito. Com a covid não se brinca”, completou.

Em Goiânia, o empresário Geraldo Rodrigues Patrício, de 31 anos, deixou-se levar pela onda das fake news. A descrença na gravidade da doença aumentou depois que ele mesmo pegou a covid, mas nada sentiu. “Eu não ligava para máscara, para álcool em gel....”. Até que o tio do cunhado dele, que havia acabado de vencer um câncer no fígado, pegou covid e morreu.

Depois, outros quatro amigos próximos também tiveram o mesmo fim ou estiveram muito próximos da morte. “Gente jovem, amigas médicas, com 23 e 28 anos... uma coisa muito triste. A doença não é brincadeira, mudei totalmente minha vida, passei um pente-fino no meu comportamento. Hoje, sou pela máscara, álcool em gel e distanciamento social. Enquanto não tiver vacina, temos de nos ajudar. E mudar de comportamento enquanto temos tempo”, disse.

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E quando o negacionismo prevalece apesar do caos? Especialistas explicam comportamento

'O negacionismo floresce em estado de individualismo muito forte – em que a pessoa fica possuída por um delírio de que ela é especial – quanto em estados de massificação muito forte, por adesão ao grupo', diz psicanalista

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2021 | 14h00

Na microrepresentação da sociedade brasileira que é o Big Brother Brasil, a participante Sarah Andrade trouxe à tona na semana passada uma faceta do negacionismo em relação aos riscos da covid-19 que é protagonizado por parte da população. Ela contou que estava em uma festa quando recebeu uma ligação da produção do programa. “Quando me ligou para a entrevista, falou para mim: ‘Pandemia não existe pra você? Ninguém tá morrendo pra você?’ Oxi... e eu: ‘Eu não tô sentindo nada’”, disse Sarah, rindo.

Ela foi criticada nas redes sociais, mas seu comportamento está longe de ser algo estranho. Pelo contrário, como revelam as festas clandestinas que proliferam desde o fim do ano por todo o País. O que parece fazer menos sentido é por que esse negacionismo prevalece no Brasil mesmo quando a pandemia atinge seu pior momento e mais de 2 mil pessoas morrem em média, por dia.

Para especialistas que se debruçam sobre o fenômeno no País, no entanto, uma conjunção de fatores tem colaborado para que o negacionismo – que vai muito além da atitude de Sarah – siga forte e acabe minando os esforços para combater a pandemia de covid-19.

Por conceito, ser um negacionista é negar as evidências estabelecidas como consenso pelo conhecimento científico. E isso se caracteriza não apenas por ir a festas num momento em que se prega o isolamento social. É negacionismo, por exemplo, achar que existe um tratamento precoce contra a covid-19, mesmo quando diversas pesquisas científicas já mostraram que nem cloroquina, nem invermectina têm efeito contra a doença. 

É negacionismo menosprezar a gravidade da doença e achar que não vai matar os jovens, quando cada vez mais jovens estão internados e morrem. E também é negacionismo não confiar na vacina.

O psicanalista Christian Dunker, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, afirma que o negacionismo que estamos observando no Brasil tem alguns “ingredientes peculiares” que talvez não sejam reproduzíveis. 

Individualismo e o poder do grupo

“O negacionismo floresce tanto em estado de individualismo muito forte – em que a pessoa fica possuída por um delírio de que ela é especial e se persuade de que tudo isso vai protegê-la – quanto em estados de massificação muito forte. É o negacionismo por adesão ao funcionamento de um grupo. Muitas pessoas aparentemente reforçam e aumentam seu negacionismo para se vincular a um determinado grupo, para não se sentirem alvo de represália. E o bolsonarismo instrumentaliza isso o tempo todo”, afirma.

“Os negacionistas subiram ao poder no Brasil com essa ilusão de que, em grande número, eles não podem estar errados. O bolsonarismo é esse fenômeno de confrontação da morte. E a morte é a fonte principal de conflito para o ser humano, de encarar a finitude”, diz o psicanalista.

Segundo ele, no contexto da pandemia estamos falando, por um lado, de um “hiperindividualismo” – como é o caso de quem vai para as festas –, e por outro de um negacionismo como efeito de funcionamento social. “Há aqueles que entendem sua vida como o domínio do seu corpo. Entendem que podem abusar e não se veem como parte de um processo social. Acham que, no máximo, estão somente se colocando em risco, mas não o outro”, afirma.

“Mas a questão social envolve o comportamento de uma parte importante da nossa sociedade que nunca teve voz, se sente legada, não acolhida, não reconhecida. É o nosso déficit de cidadania. Essa população vai aplicar sobre o outro o que ela entende que sofreu. Vai negar a ciência, as universidades, o jornalismo. ‘Vou negar tudo que eu sinto e interpreto que um dia me negou’”, argumenta.

Dunker explica que a aparente insensibilidade diante de quase 300 mil mortes se vale de um fenômeno de acomodação cognitiva. “É mais ou menos assim: vai se aumentando aos poucos o peso sobre um camelo. No final ele está transportando 3 a 4 vezes o peso dele, mas se colocasse tudo de uma vez ele não aguentaria. As taxas de mortalidade foram se distendendo ao longo do tempo e do espaço pelo País. A tragédia não foi sentida como um impacto só de uma vez.”

Ele afirma que as pessoas vão se mantendo nas suas bolhas e não são afetadas pela realidade, até que a realidade as alcança. “E aí nos consultórios vamos catando os pedaços, os cacos, porque aí o efeito é devastador.”

Sociologia da ignorância

Para o sociólogo Renan Leonel, pesquisador do Instituto Federal Suíço de Tecnologia em Zurique – que passou a investigar no ano passado, no início da pandemia, como estava se dando esse processo de negação da ciência –, se instaurou um movimento no Brasil que pode ser analisado pela chamada “sociologia da ignorância”.

Ele explica que se trata de uma “produção de desinformação e mecanismos de descrédito da ciência oficial em um ambiente de caos, sem controle, que acabou comprometendo os próprios instrumentos de produção do conhecimento”. 

Após analisar artigos de jornais de grande circulação  do Brasil, dos Estados Unidos e do Reino Unido com um colega da Universidade Columbia (EUA), ele propôs que estamos vivendo no Brasil a construção coletiva de "três camadas" de "imaginários patogênicos" na pandemia: a produção cultural da ignorância, o ceticismo com o conhecimento especializado e a institucionalização política do negacionismo. Dos três países estudados, o Brasil é o que “chegou mais próximo” deste terceiro nível, diz.

Segundo ele, há no País um caso de “dissociação entre a racionalidade da evidência científica e o pragmatismo do dia a dia”, em que, diante das incertezas da pandemia e da falta de respostas do governo, parte da população adotou um jeito próprio de enfrentar a situação. 

“Não se trata mais de apenas negar. Mas algo entre entender e enfrentar, mas sem mudar os comportamentos no dia a dia. Porque, na prática, as pessoas estão tão focadas no pragmatismo cotidiano, de precisar trabalhar, comer, que a escolha ficou difícil. Entre arriscar e sofrer os custos, optou-se pelo risco de se contaminar”, sugere.

Leonel defende que a mensagem passada a maior parte do tempo por alguns governos, como o de São Paulo, pode ter ajudado nessa compreensão. “Dizia-se o tempo todo: ‘fique em casa, mas se tiver que sair, use máscara o tempo todo’. Esse ‘mas’, do ponto de vista subjetivo, é uma permissão, que incorpora as pessoas que precisam tocar a vida. ‘Se o Estado não está lá, eu ponho minha máscara de pano, o álcool em gel, me enfio no busão e vou trabalhar’”, comenta. “A pessoa até acredita no vírus, mas se arrisca.”

Já sobre as pessoas que vão para a balada, o pesquisador acredita que elas não têm uma compreensão do Brasil como uma coisa unitária. “As pessoas acham que os problemas acontecem em Manaus, no sul do País, mas não ‘aqui’, seja lá onde elas estiverem. É uma dinâmica social que foi favorecida pela falta de o governo federal forjar uma estratégia nacional. Isso intensificou a fragmentação regional e individualização da responsabilidade de pegar o vírus.”

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Discurso coerente e bom senso podem convencer a maioria; leia análise

Negacionismo estruturado da pandemia, como estratégia de comunicação, só funciona por se aproveitar da inevitável tendência gregária do ser humano

Daniel Martins de Barros*, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2021 | 14h00

Existem dois comportamentos principais que negam a existência da pandemia. Um é o macabro movimento estruturado, com propósitos e métodos, estratégias de comunicação, tudo para embaralhar as informações sobre a covid-19. Ele não tem um alvo fixo, uma vez que a realidade por vezes se impõe de tal forma que se torna impossível continuar negando o que é evidente.

Inicialmente tentaram negar a existência da doença; posteriormente sua gravidade; e agora negam a eficácia dos meios de preveni-la. Os agentes desse negacionismo nem precisam estar convencidos de suas crenças irracionais – embora muitos estejam. Suas motivações muitas vezes são meramente políticas.

Tal mecanismo é responsável por mais mortes do que podemos calcular, mas ele só funciona por se aproveitar da inevitável tendência gregária do ser humano. Nosso cérebro é programado para buscar a relação com os outros, para nos inserir no grupo e não nos permitir ficar isolados.

Sentir-se excluído dispara um alarme em nós já que isso era uma condenação à morte para nossos antepassados. Então, quando grupos conseguem ligar determinadas crenças a sua pretensa ideologia, há uma tendência muito forte a que todos aqueles que se identificam com o grupo acatem tais crenças. Afinal ela passa a fazer parte da identidade daquele grupo, e não aderir a elas seria pôr em risco essa sensação de pertencimento. 

Felizmente a maioria das pessoas não está nos extremos. Há os que se identificam mais com um lado ou com outro, mas não a ponto de pespegar imediata e totalmente as convicções de seu grupo como distintivos a ser exibidos. Elas se inclinarão a acreditar mais em determinadas mensagens, mas não são refratárias às evidências.

São elas o alvo de nossos esforços. Os extremistas radicais dificilmente abandonarão sua irracionalidade. Mas se insistirmos num discurso público coerente, com bom senso e sem apelar a extremos opostos, refrearemos ao menos sua influência perniciosa sobre a maioria das pessoas. O que, considerando tudo, é uma conquista e tanto.

* É psiquiatra e colunista do Estadão

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É preciso de ciência e pensamento crítico no combate à desinformação; leia análise

A pandemia evidenciou a importância das instituições públicas de pesquisa e das universidades e amplificou as vozes dos cientistas, mesmo assim, somos inundados diariamente com promessas de curas milagrosas

Marcelo Knobel *, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2021 | 14h03

A ciência vem sendo atacada e maltratada. Além da falta de investimento, o negacionismo científico e as pseudociências têm encontrado terreno fértil para prosperar nas redes sociais em um momento de tantas incertezas com relação ao futuro. A pandemia evidenciou a importância das instituições públicas de pesquisa e das universidades e amplificou as vozes dos cientistas, jornalistas e divulgadores da ciência, que têm atuado incansavelmente para combater as falácias e achismos que pululam de todos os lados.

Mesmo assim, observamos estarrecidos retrocessos preocupantes e, especialmente durante a pandemia, somos inundados diariamente com promessas de curas milagrosas, questionamento às vacinas e negação de fatos consolidados, como a importância do distanciamento e do uso de máscaras.

Neste momento, engajar-se no combate às pseudociências (métodos e práticas duvidosas que se disfarçam de ciência) e à desinformação (informação falsa ou enganosa que é espalhada deliberadamente) é um imperativo ético e humanitário. Mas como fazer isso?

Um dos caminhos é divulgar a ciência. Mostrar o árduo trabalho dos pesquisadores e a importância de investir na formação de pessoas e de infraestrutura continuamente, para podermos pelo menos sonhar com um país soberano e um desenvolvimento sustentável.

Promover o conhecimento e o encantamento pela ciência, mostrar a sua incrível beleza, como ela permeia a nossa vida e até onde conseguimos avançar graças a ela. E, ao mesmo tempo, alertar para o absurdo e o perigo das pseudociências e do negacionismo, que pode ir muito além do aparentemente inofensivo terraplanismo.

O principal, porém, é que nós, como sociedade, façamos todo o esforço para conhecer melhor os métodos científicos e estimular o pensamento crítico e para encarar a realidade, por mais dura que seja, demonstrando confiança nos resultados da ciência, que, como disse Edward O. Wilson (em Consilience: The Unity of Knowledge), “não é uma filosofia nem um sistema de crenças”. “É combinação de operações mentais que se tornou gradativamente o hábito das pessoas educadas, uma cultura de iluminações descoberta por uma feliz reviravolta da história, que levou ao modo mais efetivo de aprender sobre o mundo real já concebido.”

* É PROFESSOR TITULAR DE FÍSICA E REITOR DA UNICAMP. AUTOR DO LIVRO A ILUSÃO DA LUA: IDEIAS PARA DECIFRAR O MUNDO POR MEIO DA CIÊNCIA E COMBATER O NEGACIONISMO

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