Flavio Lo Scalzo / Reuters
Flavio Lo Scalzo / Reuters

Associação Médica Brasileira recebe 2,5 mil denúncias de falta de equipamentos de proteção

Maior parte das queixas é de São Paulo, Estado mais atingida pelo surto; máscara é o item com mais reclamações

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2020 | 15h52

SÃO PAULO - Em meio ao surto de coronavírus, a Associação Médica Brasileira (AMB) recebeu em uma semana 2,5 mil denúncias de falta de equipamentos individuais de proteção (EPI) por parte de médicos de todo o País. 

Com base em dados de uma pesquisa realizada em seu site, a entidade acumulou queixas vindas de profissionais de ao menos 520 municípios brasileiros. O maior volume de reclamações são do Estado de São Paulo (855), unidade da federação mais atingida pelo surto de coronavírus. Em seguida aparecem Rio de Janeiro e Minas Gerais, com 273 e 262 denúncias, respectivamente.

De acordo com a AMB, o item mais mencionado nas queixas foi a máscara N95: 88% dos médicos que enviaram relatos para a entidade afirmaram que há carência do produto. Em 72%, houve relatos de falta de óculos ou proteção para face. Até álcool em gel está em falta nos hospitais, de acordo com os denunciantes. Ao menos 35% dos que responderam ao questionário da AMB observaram desabastecimento do item nos locais de trabalho.

A partir dos relatos recebidos, a AMB afirma que irá notificar os estabelecimentos denunciados e também o Ministério da Saúde, os Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), além das Secretarias de Saúde (municipais e estaduais), assim como Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Ministério Público do Trabalho, "para garantir que ações emergenciais para fiscalização e solução dos problemas sejam tomadas".

Risco de 'apagão'

Como o Estado mostrou no domingo, 29, a falta de EPIs é um dos fatores que pode levar a um 'apagão' de profissionais de saúde durante o surto de coronavírus no País.

Segundo conselhos de classe, especialistas e trabalhadores ouvidos pelo Estado, não são apenas leitos e respiradores que serão insuficientes na assistência aos pacientes infectados. Com a carência de profissionais em alguns hospitais do País e a possibilidade de contaminação e consequente afastamento de um grande número de servidores, poderão faltar especialistas na linha de frente do combate ao vírus, como vem ocorrendo em outros países.

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