Reprodução/Oncologia Brasil
Reprodução/Oncologia Brasil

Médicos renomados e associação de classe apoiam novo ministro da Saúde

Oncologista Nelson Teich foi visto como técnico e com experiência em gestão pelo oncologista Paulo Hoff e pelo cirurgião Sidney Klajner

Giovana Girardi e Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2020 | 17h03

O oncologista Nelson Luiz Sperle Teich recebeu o apoio de médicos renomados e da Associação Médica Brasileira (AMB), após ser indicado como novo ministro da Saúde. Ele é visto como alguém com perfil mais técnico e experiência em gestão, segundo médicos ouvidos pelo Estado

O oncologista Paulo Hoff, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e presidente da Oncologia D’Or, diz que Teich sempre demonstrou ser um profissional preparado, com formação específica na área.

“A comunidade médica em geral estava satisfeita com a condução da crise pelo Ministério da Saúde e é claro que, como todos os brasileiros, ficamos um pouco preocupados com uma mudança no meio do furacão. Mas considerando que ela já foi feita, considero Nelson extremamente preparado para a gestão pública, um empresário médico de sucesso, respeitado nas suas opiniões e uma pessoa bastante serena”, afirmou Hoff, que, por ser colega de especialidade de Teich, diz já ter convivido com o novo ministro em palestras e congressos.

“O que é importante nesse momento é que o ministério tenha uma condução técnica e baseada na ciência. Se quisermos pensar em uma modificação futura das medidas de distanciamento social, são necessários dados”, completou.

Presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, o cirurgião Sidney Klajner também destacou a formação acadêmica do novo ministro. “É uma pessoa extremamente capaz, com currículo bastante sólido em termos de gestão, com formação no exterior”, declarou. Teich fez especialização na Universidade de York, na Inglaterra.

Klajner também afirmou que considera Teich um quadro mais técnico. “O fato de ele ser médico e ter boa formação é algo positivo. Acredito que as diretrizes gerais de controle da epidemia não devam mudar. Pelo discurso dele, ele deverá se pautar em fatos e dados”, afirma.

Logo após o anúncio da demissão de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde, a Associação Médica Brasileira (AMB) divulgou uma nota de apoio à escolha do oncologista

A AMB participou de uma audiência, entre a manhã e o início da tarde desta quinta-feira, 16, com o presidente Jair Bolsonaro e com Teich, quando o oncologista teria causado uma boa impressão no presidente e foi decidido que ele assumiria o cargo após semanas de desavenças entre Mandetta e Bolsonaro.

Em nota a AMB disse que “os problemas da saúde no Brasil e os impactos do coronavírus foram abordados” e que Teich recebeu o apoio da associação por “seu perfil altamente técnico, importante para o momento atual”.

O presidente da AMB, Lincoln Lopes Ferreira, declarou que Teich tem o total apoio e simpatia da associação. “Respeitado na classe médica, eminentemente técnico, gestor e altamente preparado para conduzir o ministério da Saúde", disse na nota.

A Associação Paulista de Medicina também se manifestou, dizendo que "reconhece e agradece o excelente trabalho" de Mandetta e que "deseja os melhores votos" a Teich. "De personalidade muito discreta, Teich deixa boas referência por onde passa e pode contar com a APM para o que for necessário", afirmou em nota o presidente da APM, José Luiz Gomes do Amaral.

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que se posicionou nas últimas semanas contra o afrouxamento das medidas de isolamento, quando o presidente Bolsonaro começou a defendê-lo, não quis opinar sobre a troca do comando, mas defendeu a manutenção das políticas.

"A SBPC se pronuncia sobre as políticas de enfrentamento da pandemia. Por isso, irá aguardar o que o novo ministro irá propor e implementar. Mas defende como essencial neste momento a medida de isolamento social horizontal, assim como a OMS, a equipe anterior do Ministério da Saúde e muitos governadores e prefeitos", disse em nota. "E defende também o aumento significativo no número de testes diagnósticos e melhoria das condições de trabalho e segurança dos profissionais da saúde."

Já o presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Wilames Freire, agradeceu o trabalho de Mandetta e desejou "boas vindas" ao novo ministro. 

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