Associações não concordam com terapias alternativas no SUS

Ainda vai levar um tempo para que a medicina tradicional e a alternativa façam as pazes. Para acelerar a cumplicidade entre as duas técnicas de cura, o Ministério da Saúde resolveu se mexer. Foi publicada, no início do mês, uma portaria que autoriza o Sistema Único de Saúde (SUS) a oferecer a seus usuários algumas terapias não convencionais, mas que se tornaram muito populares no Brasil nos últimos anos. Por enquanto, foram autorizadas acupuntura, homeopatia, fitoterapia e termalismo. Esta última, menos divulgada que as demais, se caracteriza pelo uso de águas minerais no tratamentos de moléstias diversas. O objetivo da portaria, segundo um comunicado enviado pelo Ministério da Saúde, é ?uniformizar os critérios e procedimentos para a prestação de serviços no SUS, de forma a garantir segurança, eficácia e qualidade aos usuários desses tipos de terapias?. Apesar das boas intenções do Governo, muitas associações médicas vêem com desconfiança a normatização das terapias alternativas no SUS. Uma delas é a própria Associação Médica Brasileira de Acupuntura. Presidente da entidade, o médico acupunturista Ruy Tanigawa acredita que a portaria não será útil para a população e nem para o SUS. ?Todos poderão correr riscos?, diz ele. De acordo com o especialista, a prática da acupuntura só deveria ser realizada por médicos habilitados e não por um profissional de saúde qualquer. ?A população do SUS necessita de maior atenção e um médico de terceira poderá complicar a situação?, opina. O Sindicato dos Terapeutas Holísticos argumenta que não há motivos para comemorar a decisão. ?A portaria se refere exclusivamente para as categorias profissionais presentes no SUS, ou seja, se trata de mais um monopólio para médicos, fisioterapeutas, enfermeiros e psicólogos, pessoas que eles pretendem capacitar para atuar na nossa área ao invés de simplesmente contratarem terapeutas holísticos?, defende a categoria, por meio de um informativo. Segundo o Ministério da Saúde, os profissionais de terapias complementares estarão presentes nos serviços ambulatoriais especializados de média e alta complexidade. ?Essas práticas serão monitoradas pelo sistema nacional de vigilância sanitária, que também definirá padrões de qualidade para as unidades do SUS aptas a prestar esse tipo de serviço. As unidades que já oferecem esse tipo de serviço terão garantida a parcela dos recursos financeiros sob a responsabilidade do Governo Federal?, informa o comunicado veiculado pelo órgão. A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece que 85% da população dos países em desenvolvimento utiliza plantas ou preparados para cuidar da saúde. É por isso que a OMS recomenda a difusão mundial dos conhecimentos necessários ao uso racional das plantas medicinais. O Brasil, que conta com uma diversidade vegetal estimada em 55 mil espécies, possui ampla tradição no uso das plantas medicinais vinculado ao conhecimento tradicional.

Agencia Estado,

18 de maio de 2006 | 10h30

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