Astrônomos descobrem anãs marrons mais frias do Universo

Ambas tem um tamanho parecido com a de Júpiter

EFE,

23 Março 2011 | 15h58

Paris, 23 mar (EFE).- Uma equipe internacional de astrônomos acaba de descobrir o astro mais frio detectado até agora fora do sistema solar, a cerca de 75 anos luz da Terra, informou nesta quarta-feira, 23, em comunicado o Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica (CNRS).

Trata-se de uma estrela anã marrom que faz parte de um sistema binário batizado CFBDSIR 1458 10 e que tem uma temperatura de aproximadamente 100º Celsius.

A estrela, chamada CFBDSIR 1458 10B, é menos brilhante e mais fria que sua companheira, a CFBDSIR 1458 10A. Ambas, de um tamanho parecido com Júpiter, orbitam a uma distância três vezes maior a que separa o Sol da Terra, com um período orbital de 30 anos, segundo o Observatório Europeu Austral (ESO). O descobrimento foi publicado nesta quarta-feira no "Astrophysical Journal".

A "CFBDSIR 1458 10A" já é muito fria, pois tem entre 250º e 300º Celsius, indicou o comunicado do CNRS.

Com essas temperaturas, os cientistas esperam que ambas as estrelas tenham propriedades distintas de outras anãs marrons conhecidas e se pareçam com os exoplanetas gigantes.

"Poderiam até ter nuvens de água na atmosfera", segundo Michael Liu, do Instituto de Astronomia da Universidade do Havaí (EUA), um dos autores do estudo.

A estrela "CFBDSIR 1458 10A" foi descoberta em 2010 por uma equipe franco-canadense, dirigida do Instituto de Planetologia e Astrofísica de Grenoble por Philippe Delorme, e da Universidade de Montreal, por Loïc Albert. O mesmo instrumento utilizado nessa descoberta permitiu que os astrônomos encontrassem agora, em colaboração com o professor Liu, a nova estrela anã.

O Very Large Telescope (VLT) do ESO, situado no Chile, foi utilizado para estudar o espectro infravermelho do sistema binário e medir sua temperatura.

"Ficamos emocionados por comprovar que este objeto tinha uma temperatura tão baixa, mas não podíamos adivinhar que se tratava de um sistema binário com um componente ainda mais interessante e mais frio", assinalou Delorme, coautor do estudo.

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