ESO/L. Calçada/Divulgação
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Astrônomos detectam possível formação de novo planeta em ação

Embora ainda não tenham certeza se disco de poeira irá se tornar um planeta, essa é uma oportunidade única para estudar o processo

Estadão.com.br

28 Fevereiro 2011 | 12h32

Usando o Very Large Telescope (VLT) da ESO, uma equipe internacional de astrônomos foi capaz de estudar o disco de material de vida curta em torno de uma estrela jovem que está nas fases iniciais da composição de um sistema planetário. Pela primeira vez, uma pequena estrutura, conhecida como companheiro, pôde ser detectado, e pode ser a causa do grande buraco encontrada no disco. As observações futuras irão determinar se esse companheiro é um planeta ou uma anã marrom - com massa superior a de um planeta, mas inferior a de uma estrela, são consideradas "planetas fracassados".

 

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Os planetas se formam a partir de discos de material que se encontram em torno de estrelas jovens, mas a transição de um disco de poeira para um sistema planetário é rápida e poucos objetos são agregados durante esta fase. Um desses objetos é o chamado Chamaeleontis T (T Cha), uma estrela fraca na pequena constelação de Chamaeleon que é comparável ao Sol, mas muito perto do início da sua vida. T Cha fica a cerca de 350 anos-luz da Terra e tem apenas cerca de sete milhões de anos. Até agora, não foram encontrados planetas em formação nesses discos de transição, apesar de planetas terem sido vistos em discos mais maduros.

 

Segundo um dos autores do estudo, Johan Olofsson, do Instituto de Astronomia Max Planck, na Alemanha, a T Cha é excelente para o estudo da formação de sistemas planetários, apesar de sua distância requisitar o uso da potência total do Very Large Telescope Interferometer (VLTI) para clarear os detalhes e mostrar o que ocorre em seu disco de poeira.

 

Os astrônomos observaram inicialmente a T Cha usando um instrumento chamado Ambaer e o VLTI. Eles descobriram que parte do material do disco formava um estreito anel de poeira a cerca de 20 milhões de quilômetros da estrela. Para além deste disco interno, eles acharam uma região desprovida de poeira, com a parte de fora do disco se estendendo em regiões para além de 1,1 bilhão de quilômetros da estrela.

 

O buraco no disco de poeira era um mistério para Nuria Huélamo, do Centro de Astrobiologia da Espanha, também participante do estudo, levando os astrônomos a se perguntar se estavam observando uma outra estrutura cavando um buraco dentro de seu disco protoplanetário.

 

No entanto, encontrar um companheiro fraco tão perto de uma estrela brilhante é um desafio enorme, e a equipe teve de usar o instrumento Naco do VLT em uma maneira nova e poderosa, chamada de máscara de abertura esparsa, para alcançar seu objetivo. Após análise cuidadosa, encontraram a evidência clara de um objeto localizado na abertura do disco de poeira, aproximadamente um bilhão de quilômetros da estrela - um pouco mais longe do que Júpiter e perto da borda externa do buraco.

 

Esta é a primeira detecção de um objeto muito menor do que uma estrela dentro de uma lacuna no disco de poeira ao redor de uma estrela jovem. A evidência sugere que o objeto companheiro não pode ser uma estrela normal, mas poderia ser tanto uma anã marrom, rodeada por poeira ou, mais empolgante, um planeta recém-formado.

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