Astrônomos encontraram evidências de classe incomum de buracos negros

Pesquisadores dizem que podem ter encontrado novas provas da existência de um tipo raro de buraco negro

BBC

09 de setembro de 2010 | 11h35

Imagem criada para representar um buraco negro no centro de uma galáxia. Foto: BBC/Reprodução

 

 

Usando o Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu Sul, no Chile, uma equipe internacional de cientistas estudou as imagens da mais intensa fonte ultraluminosa de raios-X, o HLX-1.

 

Eles dizem que os dados sobre a distância e o brilho da fonte mostram que ela pode conter um buraco negro de massa de tamanho intermediário, localizado a cerca de 300 milhões de anos-luz da Terra.

 

Os resultados do estudo foram publicados na revista Astrophysical Journal.

 

Um buraco negro é uma região do espaço que tem um campo gravitacional do qual nem mesmo a luz é capaz de escapar.

 

Se confirmado, HLX-1 seria classificado como um tipo intermediário buraco negro - algo que os astrofísicos suspeitavam que pudesse exitir, mas que houve apenas tentativa detecções no passado.

 

Questão de radiação

 

O autor Klaas Wiersema, do departamento de Física e Astronomia da Universidade de Leicester, disse que após a descoberta dessa fonte brilhante de raios-X, os astrônomos "estavam muito ansiosos para descobrir o quão distante ele realmente se encontra, de modo que possamos descobrir o quanto de radiação produz o buraco negro".

 

"Podemos ver nas imagens que uma fonte fraca ótica estava presente no local da fonte de raios-X, localizada perto do núcleo de uma galáxia grande e brilhante", disse ele.

 

"Nós suspeitamos que esta fonte fraca ótica estava diretamente associada com a fonte de raios-X, mas para ter certeza, tivemos que estudar a luz desta fonte em detalhe, usando o Very Large Telescope no Chile."

 

Ele disse que o VLT foi capaz de medir a distância precisa até o HLX-1 e os dados do telescópio permitiram aos cientistas separar a luz da galáxia, grande e brilhante, da que vinha da fonte óptica fraca.

 

"Para nossa alegria, vimos, nas medidas resultantes, que eram exatamente o que esperávamos: a luz característica de átomos de hidrogênio foi detectada, o que nos permitiu medir com precisão a distância até este objeto".

 

Centro galáctico

 

O HLX-1 está localizado em uma outra galáxia, a cerca de 300 milhões de anos luz de nosso planeta. O estudo também mostra que a fonte não é um buraco negro super-maciço.

 

Os astrônomos acreditam que os centros da maioria das galáxias contêm tais buracos negros super-maciços, e buracos negros intermediários podem simplesmente tornar-se seus progenitores.

 

"Compreender como os super-buracos negros se formam e crescem é, assim, crucial para a nossa compreensão da formação e evolução das galáxias, que por sua vez, é uma parte do caminho para responder a uma das questões realmente grande: como foi a formação e evolução da nossa própria galáxia?" disse o astrônomo Sean Farrell, também da Universidade de Leicester.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.