Astrônomos fazem lista universal de desejos

Cientistas querem fazer pesquisas sobre matéria negra e novos planetas habitáveis na próxima década

Associated Press, Associated Press

25 de agosto de 2010 | 12h11

E você está fazendo nesta década? Os astrônomos decidiram que eles pretendem descobrir Terras alternativas e descobrir as origens das primeiras estrelas, galáxias e buracos negros.

 

Astrônomos dos EUA priorizam em cada década suas metas e os gadgets, naves espaciais e telescópios necessários para alcançá-los. Num recém-lançado relatório do Conselho Nacional de Pesquisas, "Novos Mundos, Novos Horizontes em Astronomia e Astrofísica", dirigido por Roger Blandford Stanford, os astrônomos pautam a agenda astrofísica 2012-2022.

 

"É um consenso alcançado graças ao empenho, envolvendo centenas de astrônomos", diz Ralph Cicerone, presidente da Academia Nacional das Ciências, que supervisionou a elaboração do relatório. Alguns temas de pesquisa surgem como vencedores - explosão estrelas, chamadas supernovas, e planetas alienígenas - enquanto outros são empurrados para a próxima década.

 

"É um trabalho muito difícil" diz Cicerone.

O relatório é o sexto "exame de década" para a astronomia, pesando pedidos dos astrônomos por novos telescópios, contra a realidade dos orçamentos de agências federais. Inquéritos passados orientaram de maneira confiável a National Aeronautics and Space Administration e National Science Foundation com gastos em astronomia.

 

Na última década, os astrônomos descobriram mais de 400 planetas que orbitam em estrelas próximas, aprenderam que buracos negros super-maciços espreitam no centro da maioria das galáxias e determinaram a idade do universo, cerca de 13,7 bilhões de anos.

 

O relatório define como objetivo principal a aprendizagem de como as primeiras estrelas foram formadas, encontrar os mais próximos "planetas habitáveis semelhantes à Terra fora do sistema solar" e sondar a "energia escura", uma força misteriosa que acelera a expansão das galáxias entre uma e outra em todo o cosmos.

 

"Há muita coisa acontecendo na astronomia, é uma idade de ouro", diz a astrônoma Catherine Pilachowski da Universidade de Indiana em Bloomington. "Eu acho que eles fizeram um trabalho fantástico. Muito mais do que em relatórios anteriores, eles têm dado prioridade a orçamentos e como nós estamos nos direcionando para construir esses projetos."

 

 

As principais prioridades de pesquisa incluem:

 

- O Wide Field Infrared Survey Telescope, ou WFIRST - um telescópio espacial de U$ 1,6 bilhão para ser lançado em 2020 que irá observar estrelas explodindo e pontos de vista de gravidade distorcida de galáxias em busca de pistas para a energia escura, bem como a detecção de mundos habitáveis que orbitem estrelas no centro da nossa galáxia, Via Láctea. A nave iria acoplar um espelho telescópico de 10 metros de largura em um caminho orbital em equilíbrio entre a atração gravitacional da Terra e do Sol.

 

- O Large Synoptic Survey Telescope, ou LSST - um telescópio de U$ 465 milhões no Chile em 2018 que iria investigar as áreas prioritárias do relatório, bem como asteroides "próximos da Terra" e planetas anões para além de Netuno em nosso próprio sistema solar. O telescópio iria ver o todo céu à noite uma vez a cada três dias.

 

- Novos Mundos - um estudo de 4 milhões de dólares por ano para projetar telescópios que serão capazes de ver diretamente planetas habitáveis detectados pelas missões como WFIRST e telescópio espacial Kepler, que atualmente está no espaço.

 

 

"Estamos colocando o universo em suas mãos", diz o astrônomo Kirk Borne da Universidade George Mason em Fairfax, Va., um membro da equipe LSST. Ele diz que as observações do telescópio, dados suficientes para preencher todas as noites um milhão de DVDs, vão ser disponibilizados ao público através de aplicativos de observação do céu hospedados no Google e na Microsoft Corp.

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