Até 12% dos usuários de fones podem ter problemas auditivos

No entanto, segundo estudo da Poli-USP, falta de tecnologia para medir o nível de ruído corretamente

Carina Urbanin, Agência Estado

20 de junho de 2008 | 20h44

Estudo feito pela Escola Politécnica da Universidade São Paulo (Poli-USP) para mapear metodologias capazes de medir a quantidade de ruído transmitida pelos fones de ouvido indica que até 12% das pessoas que usam fones para trabalhar sofrem de alguma perda auditiva.   No entanto, devido à falta de tecnologia disponível para medir o nível de ruído, que pela lei não deve ultrapassar 85 decibéis até oito horas de exposição e 87 decibéis até seis horas de exposição, as empresas não têm como avaliar se estão dentro do determinado pela lei. Conseqüentemente, os empregados prejudicados não conseguem provar, na Justiça, a procedência dos problemas de audição.   "Faltam no Brasil procedimentos e metodologias legais para avaliar se o som emitido está dentro de níveis seguros", afirma o engenheiro eletricista e de segurança do trabalho, mestre em Engenharia pelo Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo da Poli-USP, Jair Felicio. De acordo com Felicio, as normas consideradas mais eficientes para a medição, as da série Organização Internacional de Normalização (ISO, na sigla em inglês) 11904, são de difícil aplicação prática. "Além de cara, é muito complexa de ser executada, pois exige profissionais altamente capacitados para lidar com os equipamentos sofisticados de medição".   A série ISO 11904 inclui duas formas de medição de ruídos - uma utiliza um pequeno microfone instalado entre o ouvido do usuário e o fone de ouvido. "O equipamento desse pequeno microfone, porém, é muito grande o que dificulta seu transporte." A outra forma de medição utiliza um manequim com fones de ouvido que é colocado no mesmo local que o trabalhador, também é inserido um microfone entre o fone do boneco e seu ouvido. "Imagina termos que levar um manequim dentro de uma mina, é inviável", ressalta Felício.   O pesquisador, no entanto, identificou uma possível nova solução baseada em uma metodologia elaborada por uma empresa sediada em Chicago, nos EUA, a Etymotic Research. A empresa desenvolveu um microfone muito pequeno, portátil, para ser colocado entre o fone e o ouvido das pessoas. "Além de mais barato e com manuseio simplificado o equipamento pode ser facilmente levada a qualquer lugar", disse Felício. Mas ele ressalta que o método ainda está em avaliação para verificar se está adequado à norma internacional série ISO 11904.   Segundo Felício, se for comprovada a eficiência desta metodologia ela poderá até mesmo vir a ser adotada como uma norma oficial brasileira de Metodologia e Procedimento Normalizado do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). O pesquisador explica ainda que, que apesar da ISO 11904 ser uma norma internacional, seu uso não é obrigatório. "Toda norma internacional deve estar referendada por uma lei, caso contrário, não é obrigatória", disse.

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