Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE

Até o segundo semestre, País deve oferecer exame mais preciso para HIV

Pelo menos oito plataformas para testes NAT devem garantir mais segurança a transfusões

Lígia Formenti, de O Estado de S.Paulo

07 Janeiro 2011 | 20h28

BRASÍLIA - O coordenador da Política de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, Guilherme Genovez, afirmou que até o início do segundo semestre estarão em funcionamento pelo menos oito plataformas para realização de exames NAT, para detecção mais eficaz do HIV, em hemocentros do País.

Esses testes, desenvolvidos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), reduzem de forma significativa a janela imunológica de HIV e Hepatite C e já estão sendo usados, em caráter experimental, em alguns pontos do Brasil, como São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Pernambuco.

Genovez reconhece que a implantação do projeto está atrasada. "Há exigências legais, burocracia que muitas vezes impede a agilidade necessária", disse. Ele observa, no entanto, que nos últimos anos testes de 4ª geração foram introduzidos no País, o que elevou a uma maior segurança nos diagnósticos.

A pesquisadora da Fundação Pró-Sangue Ester Sabino, responsável pelo levantamento sobre contaminação de HIV nas bolsas de sangue, afirma que a implantação do NAT não é uma operação simples. "O custo é elevado, além disso, é preciso treinar os hemocentros para a nova técnica."

Na opinião de Ester, alguns resultados apontados no estudo mostram que outras estratégias podem ser colocadas em prática, além da melhoria técnica dos exames. O principal, em sua avaliação, é a conscientização dos doadores. O trabalho da pesquisadora mostra uma diferença significativa de risco de HIV em bolsas de doadores de repetição e os que procuram centros para repor estoques, a pedido de pacientes.

"O risco calculado entre doadores da comunidade é de duas a três vezes maior que o dos doadores de repetição", compara. Algo que, para Ester, indica que parte das pessoas ainda recorre aos centros mesmo depois da exposição ao HIV.

O trabalho aponta, ainda, que os riscos entre doadores homens é maior do que entre as mulheres. Ela arrisca uma explicação: "Uma das possibilidades seria a de as mulheres fazerem mais o teste HIV, sobretudo em pré-natal", observou.

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