Até prefeito vai à caça do Aedes aegypti no interior de SP

Risco de outras doenças, como a zika, está levando as prefeituras do interior a ampliar a guerra contra o mosquito transmissor

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

08 Dezembro 2015 | 23h14

SOROCABA - À frente de um aparato com 15 caminhões, três carretas e seis máquinas carregadeiras, além de 150 homens, o prefeito Vinícius Camarinha (PSB) saiu pessoalmente à caça do mosquito Aedes aegypti, na segunda-feira, 7, em Marília, interior de São Paulo. O risco de outras doenças, como o zika vírus, possível causador da microcefalia em bebês, além da dengue, está levando as prefeituras do interior a ampliar a guerra contra o mosquito transmissor.

Em Marília, dezenas de toneladas de possíveis criadouros foram recolhidos de casa em casa, em bairros da zona norte. “Acompanho pessoalmente por causa da gravidade do momento, pois além da dengue, há o risco de outras doenças”, disse o prefeito. As ações vão prosseguir até o dia 18 e não foram suspensas nesta terça-feira, 8, feriado municipal. A cidade enfrentou uma epidemia de dengue este ano. “Como o mosquito é caseiro, está dentro das nossas casas, a população precisa colaborar”, pediu Camarinha.

Em Campinas, que já investiga a possível relação de dez casos recentes de microcefalia com o zika vírus, a prefeitura contratou 250 agentes de saúde para ampliar o combate ao mosquito. Agora são 750 servidores envolvidos diretamente no controle do Aedes. A aplicação de inseticidas com nebulizadores foi ampliada em cinco vezes. Campinas já registrou 65 mil casos de dengue este ano, com 15 mortes.

Em Araçatuba, a prefeitura precisou de um mandado judicial para retirar quatro toneladas de lixo do interior de uma casa, nesta terça-feira. Os moradores foram autuados e devem receber uma multa em valor ainda não definido. Além de larvas do mosquito Aedes aegypti, foram encontrados escorpiões no local. A equipe mobilizou três veículos e 35 agentes para a retirada do material.

Uma operação do serviço de zoonoses de Sorocaba recolheu só em novembro 43 toneladas de criadouros de larvas do mosquito em vinte bairros da cidade. O trabalho é feito até aos sábados. Este mês, são recolhidas em média duas toneladas de criadouros por dia. Em São Vicente, no litoral paulista, os trabalhadores da coleta de lixo estão em greve desde segunda-feira, por falta de pagamento. A cidade investiga quatro casos de microcefalia e a possível relação com o zika vírus. A prefeitura informou que a coleta de criadouros não foi prejudicada.

Suspeita. A Secretaria da Saúde de Ribeirão Preto investiga um possível caso de zika vírus na cidade. A notificação foi feita pelo infectologista Benedito Antonio Lopes da Fonseca, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, após examinar uma paciente de 33 anos, com febre, vermelhidão no corpo e conjuntivite. A mulher não está grávida. Foi coletado material para exame, mas o resultado só deve sair no dia 11.

Mais conteúdo sobre:
PSB São Paulo Campinas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.