Até sábado, Gramado (RS) recebe médicos em evento de câncer de mama

Na ocasião, serão discutidos temas como diagnóstico precoce, novos tratamentos e cirurgia

estadão.com.br

26 de agosto de 2010 | 21h51

SÃO PAULO - Entre esta quinta-feira, 26, até este sábado, a cidade de Gramado, na serra gaúcha, receberá grandes nomes da oncologia na 5ª Edição do Câncer de Mama Gramado. Na ocasião, serão discutidos temas como diagnóstico precoce, novos tratamentos e cirurgia. O evento acontece no Hotel Serrano, com palestras das 8h30 às 18h30.

O oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein e presidente do Grupo Brasileiro de Estudos Clínicos em Câncer de Mama, Sérgio Simon, participará da conferência em dois momentos. No primeiro, falará sobre pacientes HER2 positivo, considerado o tipo mais agressivo da doença e que está intimamente associado a metástases (e, consequentemente, a taxas reduzidas de sobrevida). Na sequência, abordará estratégias após a cirurgia e quimioterapia para pacientes que não obtiveram uma resposta completa.

No evento, também serão destacados os desafios do câncer HER2, pela oncologista Sandra Franco, chefe dessa área no Centro de Oncologia da Clinica de Seno e Clinica Del Country, da Colômbia; e pelo oncologista Mark Pegram, especializado em terapias-alvo e diretor do Braman Breast Cancer Research Institute, da Faculdade de Medicina Miller, da Universidade de Miami, nos EUA.

Entre outros temas, os médicos tratarão da importância de um tratamento que acaba de ser autorizado pela Anvisa: o lapatinibe em combinação com o letrozol, indicado para mulheres pós-menopausa com câncer de mama HER2 também positivo para receptor hormonal. Para essas pacientes, o tratamento em questão pode substituir a quimioterapia.

O oncologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês e do Grupo de Mama do Instituto de Oncologia de São Paulo, Ricardo Marques, conduzirá uma discussão sobre como a detecção precoce de doença metastática é importante e pode alterar o prognóstico.

O evento conta, ainda, com outros especialistas importantes do cenário nacional e internacional, como Cesar Cabello, Mohammed Jahanzeb, Basak Dogan e Ruffo de Freitas. Diretor do Centro de Pesquisa em Oncologia do Hospital São Lucas da PUC de Porto Alegre e diretor do Instituto do Câncer do Hospital Mãe de Deus, também na capital gaúcha, o oncologista Carlos Barrios, fechará o evento.

A doença no RS

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Estado do Rio Grande do Sul é o terceiro em novos casos de câncer de mama no País, com 4.88 mil diagnósticos por ano - atrás apenas do Rio de Janeiro e de São Paulo.

A cidade de Porto Alegre está numa situação ainda mais delicada: aparece em segundo no ranking brasileiro, com 950 casos por ano e uma média de 85,5 novos casos a cada 100 mil mulheres. A taxa de mortalidade entre as moradoras da capital foi de 16,9%% em 2006.

Apesar disso, foi observada uma queda no número de casos entre as portoalegrenses entre 40 e 49 anos nos anos de 2006 e 2007 (de 30,36 incidências em 2006 para 17,94 a cada 100 mil habitantes).

Aprovação do lapatinibe

Uma recente aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pode beneficiar no futuro muitas brasileiras com câncer de mama, por meio de um tratamento seguro e eficaz sem quimioterapia, poupando essas mulheres de transtornos como queda de cabelo, náusea, fraqueza nas unhas e muitos outros efeitos colaterais.

Em uso no País desde 2007, o lapatinibe - visto como uma das mais recentes esperanças no tratamento da doença em estágio avançado e metastático - acaba de ser liberado pela Anvisa para uma nova indicação terapêutica.

A partir de agora, o medicamento já pode ser usado em combinação com o letrozol como tratamento de primeira linha de mulheres pós-menopausa com câncer de mama HER2 também positivo para receptor hormonal. A novidade confere às pacientes um controle da doença, sem a necessidade de uso de agentes quimioterápicos por um período significante, proporcionando melhora significativa no tempo de progressão do câncer - sobrevida média livre de progressão 8,2 meses maior.

Além disso, na condição de terapias orais, o lapatinibe e o letrozol podem ser administrados em casa, com supervisão médica, permitindo às pacientes maior comodidade, conforto e liberdade, evitando o desgaste da internação para tratamento intravenoso.

Segundo a Sociedade Americana de Câncer, o tumor de mama é a principal causa de óbito por câncer em mulheres de todo o mundo. Entre as que apresentam diagnóstico positivo para a doença e fazem a cirurgia para retirar o tumor, 75% têm chance de cura. As outras 25% vão para metástase - quando células malignas caem na circulação sanguínea e podem chegar a outras partes do corpo, invadindo células sadias e estimulando o aparecimento de novos tumores. São essas 25% que têm a chance de receber o novo tratamento com o lapatinibe.

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