Atendimento ‘disfarçado’ é risco, diz expert

Especialistas se preocupam com o surgimento de novas estruturas semelhantes a manicômios com pessoas maltratadas e trancadas como forma de castigo

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

11 Dezembro 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Com o gradativo fechamento de hospitais psiquiátricos, especialistas se preocupam com o surgimento de novas estruturas semelhantes a manicômios. Segundo eles, esses “manicômios disfarçados” estariam surgindo em comunidades terapêuticas voltadas a dependentes de álcool e drogas, bem como clínicas particulares para pacientes com transtornos mentais.

O professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Fernando Sfair, que já foi interventor de hospitais psiquiátricos pelo Ministério da Saúde, alerta para o surgimento de casos em comunidades terapêuticas, na maioria religiosas, de pessoas maltratadas e trancadas como forma de castigo. 

“Há um elemento a mais na discussão sobre reforma psiquiátrica, que é a multiplicação das comunidades terapêuticas no campo de álcool. Começa a ter um movimento forte de reproduzir a mesma lógica da internação manicomial”, afirma.

Sobre a reforma psiquiátrica brasileira, ele elogia. “Se temos problemas, os países com o mesmo nível de desenvolvimento enfrentam problemas maiores, ainda mantendo seus modelos centrados em hospitais”, diz.

Para a conselheira do Conselho Regional de Psicologia Evelyn Sayeg, apenas se deve recorrer à internação em último caso. Antes, é possível recorrer a serviços de acolhimento como Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e hospitais gerais.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva, é preciso ter uma rede de atendimento psicossocial de qualidade. “Se há um sistema ambulatorial bom, na maioria dos quadros se consegue tratar e manter a pessoa em casa. Mas, para isso, é preciso visitar o paciente semanalmente”, defende.

Mais conteúdo sobre:
Hospital Psiquiátrico

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.