Atendimento psicológico ajuda gestantes com HIV, indica estudo da USP

Portadoras do vírus podem ter gestação melhor se desabafarem sobre angústias e sentimentos

Agência Estado

23 Setembro 2010 | 20h39

SÃO PAULO - Gestantes portadoras do vírus HIV podem ter uma gravidez melhor se, além de passar por um exame pré-natal adequado, puderem desabafar suas angústias e sentimentos, segundo informações divulgadas pela Agência USP de notícias.

Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) constatou que, durante a gravidez, os problemas mais comuns dessas gestantes se referem a questões emocionais, e não clínicas, uma vez que o pré-natal é feito em um ambulatório diferenciado. A pesquisa concluiu que as mães portadoras do HIV precisam de assistência psicológica diferenciada, além de um espaço para realizar discussões sobre planejamento familiar e educação sexual.

A psicóloga Luciana Trindade Valente Carneiro, autora do estudo "A vivência da maternidade: um estudo com gestantes portadoras do HIV", explica que há muita insegurança por parte dessas mulheres em relação à saúde do bebê e se terão condições de acompanhar o crescimento da criança. Já em relação ao quadro clínico, todas se sentiram muito seguras ao fazer o pré-natal em um ambulatório diferenciado.

O estudo também constatou que a maioria das gestantes aderia ao tratamento durante a gestação, por medo da possibilidade da transmissão do vírus ao bebê - um sinal de que essas mulheres se preocupam com o bem-estar do filho, mas não, necessariamente, com o próprio bem-estar.

Tal fator, segundo Luciana, é negativo, pois pode significar que a mulher interromperá a medicação após o parto. A proposta do trabalho é que haja tratamento e acompanhamento permanentes para minimizar danos psicológicos e emocionais, comuns em grávidas soropositivas.

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