Brendan Bowler e Michael Liu, IfA/Hawaii
Brendan Bowler e Michael Liu, IfA/Hawaii

Atmosfera de planeta extrassolar desafia modelos teóricos

Excesso de poeira pode ajudar a explicar discrepância entre teoria e observações

estadão.com.br, estadão.com.br

01 Setembro 2010 | 17h56

Astrônomos da Universidade do Havaí mediram a temperatura de um jovem planeta gigante gasoso, usando o Observatório Keck, e obtiveram um resultado que consideraram "intrigante", segundo nota divulgada pelo Keck. Trata-se, segundo eles, de uma atmosfera planetária diferente da de qualquer outro mundo estudado anteriormente.

 

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Medindo a radiação emitida pelo planeta, os pesquisadores determinaram que os modelos teóricos para esse tipo de astro não conseguiam explicar os dados obtidos. A equipe suspeita que a razão é a poeira na atmosfera.

 

Modelos com quantidades normais de poeira não se assemelham a este planeta, HR 8799 b, um dos três já descobertos em órbita da estrela HR 8799, a 130 anos-luz da Terra.

 

A técnica usada para medir a temperatura do planeta depende da composição de sua atmosfera. Especificamente, a presença ou ausência do gás metano pode ser usada como termômetro. os pesquisadores determinaram que HR 8799 b tem pouco ou nenhum metano.

 

Comparando essa constatação com outros dados e modelos teóricos, concluíram que a menor temperatura possível seria da ordem de 900 ºC.

 

Os modelos, no entanto, não dão conta de todos os dados. As teorias atuais previam que HR 8799 b fosse pelo menos 400º C mais frio do que o que foi medido, com base na idade do planeta e na energia que está irradiando para o espaço. A equipe suspeita que a discrepância é causada pelo fato de o planeta ter, em sua atmosfera, muito mais poeira e nuvens que o previsto.

 

"O estudo direto de planetas extrassolares ainda está na infância, mas mesmo neste estágio estamos aprendendo que eles são um animal diferente dos objetos que conhecíamos", disse um dos autores do estudo, Michael Liu.

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