Aumentam as mortes por infecção hospitalar na Europa e EUA, revela OMS

Ainda de acordo com a OMS, infecções hospitalares afetam 15% dos pacientes de países em desenvolvimento

Efe

21 Julho 2011 | 14h06

Genebra, 21 jul (EFE).- As infecções hospitalares afetam anualmente 4,5 milhões de pacientes na Europa e 1,7 milhão nos Estados Unidos, revelou nesta quinta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS), após anunciar que designou um representante especial para a segurança dos pacientes.

As mortes por esse tipo de infecções subiram para 37 mil e 100 mil, respectivamente, pelos dados oficiais, mas que "certamente estão subestimadas", reconheceu o responsável da iniciativa da OMS, Benedetta Allegranzi.

Segundo os dados mais recentes, as infecções hospitalares afetam 10% dos pacientes em países desenvolvidos e 15% nas regiões em desenvolvimento.

No entanto, o risco está concentrado nas áreas de terapia intensiva e neonatal. Inclusive nos países ricos, três de cada dez pacientes são afetados por ao menos uma infecção vinculada ao meio hospitalar nas unidades de terapia intensiva.

"Centenas de milhões de pacientes são infectados por ano (no mundo) e milhões morrem por causa de uma infecção adquirida em centros de atendimento médico", afirmou Allengranzi.

As infecções do tratamento urinário são as mais comuns nos países de altas receitas, enquanto as associadas a uma cirurgia ocorrem nos locais com recursos limitados, onde podem afetar até um terço dos pacientes.

Por sua vez, o novo representante especial da OMS para a segurança dos pacientes, Liam Donaldson, assinalou que as pessoas hospitalizadas têm uma probabilidade entre dez de serem vítimas de um acidente ou erro durante um tratamento, enquanto o risco de morrer por esta causa é de um para cada 300.

Donaldson foi um dos incentivadores do Programa sobre Segurança dos Pacientes, lançado em 2004 e que compreende iniciativas sobre medidas de higiene nos centros sanitários.

Também, a implementação de uma "lista de revisão para cirurgias", que inclui medidas preventivas antes de anestesiar o paciente, sobre a incisão na pele, tratamento do paciente antes de deixar a sala de operações e durante o período imediato posterior à cirurgia.

"Quando começamos ninguém falava da segurança nos hospitais como um conceito. Quando alguma situação saia mal era vista como um acidente sem maior relevância", comentou.

A partir da avaliação realizada em seis hospitais que aplicam essa "lista de revisão" no Canadá, Reino Unido, Tanzânia, Índia, Argentina e Arábia Saudita foi determinado que esta permite reduzir em 33% as complicações pós-operatórias e em 50% a mortalidade.

"Meio milhão de mortes poderiam ser evitado por meio de sua implementação" no mundo todo, afirmou o analista da OMS Edward Kelley.

Calcula-se que 100 mil hospitais já adotam a lista de medidas preventivas em casos de cirurgia.

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