Aumentam os casos de dengue em São Paulo

As águas de março fecham o verão e abrem a "temporada" de dengue na cidade. É nesta época do ano que as larvas do mosquito Aedes Aegypti começam a se multiplicar. Até a última quarta-feira, o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CCD), em parceria com o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e o Instituto Adolfo Lutz (IAL) registrou 70 casos autóctones (quando a contaminação ocorre no município em que a pessoa mora) de dengue, quase o dobro do ocorrido durante os 12 meses de 2005. O número de casos importados (contraídos em outras cidades e/ou estados) ainda é menor que o de 2005. Por enquanto, são 174 contra os 212 do ano passado. A coordenadora do Controle da Dengue da Secretaria Municipal de Saúde, Bronislawa de Castro, garante que não há possibilidade de epidemia. "Está sob controle. É verdade que houve um aumento do número de casos, mas, se compararmos com 2002 e 2003, veremos que não existe perigo", explica. Nestes dois anos, o número de casos autóctones foi de 434 e 760, respectivamente. A especialista acredita que as altas temperaturas do início do ano favoreceram o salto no número de casos de 2005 para 2006. Em maio, segundo Bronislawa, há um decréscimo nas contaminações. E, tradicionalmente, junho é o mês em que o Aedes aegypti e o Culex (os dois gêneros de mosquitos transmissores da doença) saem de "férias". Apesar de todas as campanhas contra a doença, Bronislawa acredita que ainda há um grande caminho a percorrer entre a teoria e a técnica. "As pessoas sabem que precisam esvaziar pneus, baldes, cachepôs, mas é preciso uma mudança nos hábitos", alerta. Quem vem aderindo de forma exemplar às campanhas são as crianças. "A resposta delas é muito boa, e elas acabam sendo os fiscais da casa, justamente porque ainda estão formando seus hábitos", diz Bronislawa. A dengue também merece atenção porque seus primeiros sintomas, como febre alta e dores musculares, podem ser confundidos com os da gripe - que também não é uma doença qualquer. Em ambos os casos (dengue ou gripe), é preciso procurar o serviço de saúde. Identificado o caso, a Secretaria de Saúde fará o bloqueio de transmissão na área e em até 500 metros em volta dela. Produtos serão aplicados nos criadouros das larvas dos mosquitos, a fim de matá-las. Ainda segundo a doutora, a dengue atinge mais mulheres adultas, que costumam ficar em casa no período da tarde. "É lá que o mosquito está também", explica Bronislawa. Alta concentração populacional e infra-estrutura sanitária precária também contribuem para que alguns bairros (como Alto de Pinheiros, Brasilândia e Capão Redondo) apresentem mais casos do que outras vizinhanças. Litoral - Em São Sebastião, no litoral sul de São Paulo, os casos de dengue saltaram, em uma semana, de 55 para 126. Há outras 303 pessoas com suspeita da doença e os exames estão sendo analisados no Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. "A prefeitura tem 80 agentes, mas as pessoas tem de ajudar a combater os criadouros do mosquito Aedes Aegypti", apela o secretário municipal de Saúde, Antonio Guilherme de Carvalho.

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