Autismo e esquizofrenia podem ser hereditários, aponta estudo

Segundo pesquisa, filhos de pais esquizofrênicos têm mais chances de desenvolver doenças

Reuters

06 Julho 2012 | 14h02

Membros de famílias com histórico de esquizofrenia ou desordem bipolar têm mais chances de ter filhos com autismo, aponta um estudo conduzido por pesquisadores suecos e israelenses.

 

Os pesquisadores descobriram que as crianças cujos pais ou irmãos foram diagnosticados com esquizofrenia têm três vezes mais chances de desenvolver alguma doença que afeta o desenvolvimento cerebral, como autismo ou a síndrome de Aspenger. A relação também foi constatada para quem tem desordem bipolar, embora em menor frequência, segundo o estudo publicado nos Arquivos Gerais de Psiquatria dos Estados Unidos.

 

"A maior parte das pessoas com familiares que têm uma desas doenças não apresenta nenhum tipo de problema", disse o doutor Patrick Sullivan, um dos líderes do estudo. Ele ressalta, porém, que há um fator fundamental e comum às duas desordensm como alterações genéicas, que são passadas hereditariamente.

 

Uma das principais questões acerca das pesquisas sobre o autismo é quando a genética está envolvida nos casos em que a condição é constatada, sem que sejam considerados os períodos pré-natal e do início da infância.

 

Para o estudo, os pesquisadores analisaram informações de três bancos de dados - dois que acompanharam crianças e suas famílias na Suécia e seus diagnósticos e um outro com informaões sobre todos os cidadãos que entraram no serviço militar de Israel, incluindo irmãos. Ao todo, eram dados de mais de 30 mil jovens com autismo.

 

Eles descobriram que nos dois estudos suecos, crianças com pais ou irmãos com esquizofrenia tinham de 2,6 a 2,9 mais chances serem autistas. A tendência foi a mesma para os que tinham irmãos esquizofrênicos em Israel. Quando os pais tinham desordem bipolar, essa taxa caiu para um nível de variação que vai de 1,6 a 1,9.

 

Para Sullivan, há certas mutações genéticas que aparentemente provocam a predisposição ao autismo e à esquizofrenia. E poderia haver muitas variações desse gene, que pode aumentar as chances do desenvolvimento da doenças como o autismo ou não, acrescenta. "Só porque há vários fatores de risco, não quer dizer que eles representem a mesma coisa. As necessidades de pessoas com autismo e esquizofrenia e os tratamentos que temos funcionam para um e para outro, mas não se sobrepõem", conclui. 

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