Autópsia esclarecerá morte de Eluana, diz neurologista

O porta-voz dos senadores conservadores da Itália afirmou que essa morte precisa ser esclarecida

EFE e Ansa,

09 Fevereiro 2009 | 19h45

O neurologista que acompanhava o caso de Eluana Englaro há anos, Carlo Alberto Defanti, afirmou que a morte será esclarecida somente após a realização de uma autópsia. Eluana, a italiana de 38 anos que passou os últimos 17 deles em estado vegetativo, teve "uma crise" que acabou antecipando sua morte, e somente a autópsia poderá elucidar o que ocorreu, disse Defanti.   Veja também:  Você concorda com a decisão de deixar Eluana morrer? Perguntas e respostas: entenda o caso  Morre Eluana Englaro, depois de 17 anos em estado vegetativo  Veja tudo que foi publicado sobre o caso de Eluana Englaro   O neurologista admitiu que não esperava pela morte da italiana, apenas três dias depois de os médicos interromperem sua alimentação, informou a agência local Agi.   O próprio Defanti tinha previsto que Eluana viveria entre 12 e 14 dias a partir do momento em que sua alimentação fosse interrompida.   O porta-voz dos senadores conservadores da Itália, Maurizio Gasparri, afirmou que a morte de Eluana precisa ser esclarecida. Ela faleceu na véspera da votação de um projeto de lei que proibiria a remoção da alimentação de pacientes em estado vegetativo.   Gasparri disse ainda que é preciso saber que aconteceu na clínica La Quiete, em Údine (nordeste da Itália), onde ela estava internada, e afirmou que se tratou "claramente de um caso de eutanásia". O senador comentou também que, a partir de agora, o local pode ser chamado de "clínica da morte".   O neurologista da Universidade de Údine, Giangluigi Gigli também exigiu o esclarecimento da morte de Eluana, e pediu que a clínica La Quiete seja fechada. Gigli solicitou ainda um exame toxicológico para esclarecer se alguma substância externa pode ter provocado a morte da italiana.   O advogado Vittorio Angiolini, que defende a família de Eluana, pediu à imprensa que "deixe em paz" o pai da paciente, Beppino Englaro. Durante anos, Beppino travou uma intensa batalha judicial para conseguir suspender a alimentação artificial que mantinha sua filha viva.      "Peço que deixem Beppino Englaro tranquilo, o que nunca foi feito. Aliás, até neste último e dramático momento ele precisou que sua filha fosse cercada por policiais. Agora deixem-no em paz", disse Angiolini, referindo-se à polêmica desatada pelo caso de Eluana.   Ao ser informado do falecimento da filha, Beppino Englaro disse que preferia ficar sozinho. "Não precisam se preocupar comigo, agora quero ficar só, não quero falar com ninguém. A única coisa que peço aos verdadeiros amigos é que não me procurem. Sou assim, peço que me respeitem deste modo", afirmou.

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