AFP Photo/Fundo de Investimento Direto da Rússia
AFP Photo/Fundo de Investimento Direto da Rússia

Autoridades anunciam que Brasil vai produzir vacina russa em larga escala

Farmacêutica responsável é a União Química e produção está prevista para iniciar em dezembro

Roberta Jansen, O Estado de S. Paulo

19 de outubro de 2020 | 12h41

RIO -  O Brasil começará a produzir em larga escala já na segunda quinzena de novembro, doses da vacina russa contra a covid-19, a Sputnik V. O anúncio foi feito nesta segunda-feira, 19, por cientistas e autoridades russas, em entrevista coletiva pela manhã, e confirmado mais tarde pela farmacêutica União Química, responsável pela produção no País.

Em setembro, técnicos brasileiros estiveram no Instituto Gamaleya, responsável pelo desenvolvimento da vacina. Agora, eles aguardam a liberação da Anvisa e a chegada de especialistas russos para acompanhar a primeira partida da vacina. O presidente da União Química, Fernando de Castro Marques, acredita que parte da produção já esteja disponível para a população em janeiro.

“Faltam algumas etapas legais a serem cumpridas, como a aprovação da Anvisa, mas estamos fazendo todo o esforço para resolver tudo no menor espaço de tempo possível”, explicou Marques. “Tenho esperança de que em janeiro já haja algo disponível sim; não será ainda uma grande produção, mas parte da vacina.”

A União Química produzirá vacinas também para outros países da América Latina, de acordo com o contrato firmado com os russos. A farmacêutica não informou, no entanto, quantas doses da vacina pretende produzir, nem os valores que serão cobrados.

“Não temos contrato firmado ainda (para a venda do imunizante), mas estamos presentes no país inteiro e pretendemos disponibilizar a vacina para o sistema particular e público, para quem tenha interesse de comprar”, explicou o presidente da farmacêutica. “Não sabemos o preço que será cobrado ainda, mas será algo acessível, nada absurdo.”

O presidente da União Química explicou que já tem uma planta biotecnológica pronta para a produção em larga escala do imunizante e que, se a demanda for crescente, pretende investir ainda mais em expansão.

O governo do Paraná também firmou acordo para a produção da vacina, com transferência de tecnologia. Ainda não há informações sobre se o governo federal irá firmar algum acordo com a Rússia para disponibilizar a vacina pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Índia, Coreia do Sul e China são outros três países que, ao lado do Brasil, vão produzir a vacina russa em larga escala. Na Índia, a produção também começa em novembro.

Além da transferência de tecnologia para produção local, a Rússia também vai vender doses da vacina diretamente para vários países.

O diretor do Fundo Russo de Investimento Direto, Kirill Dmitriev, contou na entrevista que a Rússia pretende produzir 1,2 bilhão de doses, sendo 200 milhões somente para a América Latina.

“Vamos apresentar os resultados da fase 3 (de testes, a mais avançada dos ensaios clínicos com humanos) aos órgãos de controle de cada país com os quais firmamos acordo”, explicou Dmitriev. “A velocidade com a qual esses acordos serão aprovados depende de cada órgão, mas esperamos que, devido à pandemia, esse processo seja acelerado de forma a estarmos prontos para iniciar a distribuição em dezembro.”

O governo da Bahia já anunciou a compra de 50 milhões de doses diretamente dos russos.

No início de setembro, os primeiros resultados das fases 1 e 2 de ensaios clínicos foram publicados na “The Lancet”, mostrando que a vacina é capaz de induzir resposta imune e é segura. Atualmente a fase 3 está em teste na Rússia.

Diretor do Instituto Gamaleya, Denis Logunov, que também participou da coletiva, voltou a assegurar que os principais efeitos adversos reportados até agora nesta terceira fase foram febre, dor no local da injeção e mal estar leve. Ainda segundo Logunov, capacidade da vacina de induzir a produção de anticorpos seria de 100%. A imunidade perduraria por até dois anos.

A vacina russa consiste em duas doses aplicadas com um intervalo de 21 dias. Ela é produzida com o uso de dois adenovírus como vetores para material genético do vírus.

A Anvisa informou que, até o momento não recebeu ainda nenhum pedido de registro para a vacina russa contra a covid-19.

 

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