Autoridades chinesas aceitam debater questão do filho único

Além de restrições, há muita infertilidade, que aumenta com poluição, hormônios e idade avançada

Efe

25 Setembro 2010 | 00h21

PEQUIM - As autoridades chinesas aceitam cada vez mais discutir o problema que a política do filho único representa para o desenvolvimento econômico e social do país, na medida em que aumentam os casos de infertilidade e da "síndrome do ninho vazio" (depressão que acomete pais quando os filhos saem de casa).

Meios de comunicação influentes como o "Diário do Povo", órgão oficial do Partido Comunista da China, falam abertamente dos tratamentos de inseminação artificial e da adoção como "opções viáveis" para solucionar a questão da falta de filhos.

A lacuna entre o número de homens e mulheres, resultado de anos de preferência pelo filho varão - que proporciona sustento para a família -, assim como o envelhecimento da população, tem origem na política do filho único.

Segundo números oficiais, a população do gigante asiático alcançou 1,32 bilhão de habitantes em 2008, dos quais 200 milhões terão mais de 60 anos no final de 2015.

Enquanto a maioria dos casais urbanos chineses pode ter apenas um filho - com raras exceções ou com a possibilidade de um segundo mediante pagamento de "multa" -, a infertilidade aumenta por causa de problemas como a poluição ambiental, ingestão de hormônios - sobretudo entre os homens - e idade avançada com que as mulheres se casam.

Atualmente, o número de chinesas que se casam após os 35 anos aumentou, principalmente por razões profissionais e pela vontade de conquistarem uma situação financeira estável antes de ter filhos.

Segundo dados publicados em um seminário sobre infertilidade realizado em agosto em Pequim, mais de 40 milhões de pessoas sofrem desse problema, o que representa quase 12% da população em idade fértil. Desse número, 15% vivem em regiões litorâneas e desenvolvidas, como a cidade de Qingdao, capital da província oriental de Shandong, e 18,9% na sulina Cantão.

Além disso, um estudo feito com 1.236 pacientes do Instituto de Pesquisas sobre Planejamento Familiar da cidade de Chongqing, mostrou que quase 60% das mulheres sofriam de infertilidade por causa de abortos, muitos deles feitos durante a adolescência ou em condições precárias, em clínicas não autorizadas.

Um professor do Instituto de Pesquisas sobre População e Desenvolvimento da Universidade de Nankai, Yuan Xin, declarou ao "Diário do Povo" que um em cada oito casais chineses sofre de infertilidade, mas que a inseminação artificial é um método "caro e exaustivo".

Quanto à "síndrome do ninho vazio", especialistas começam a recomendar aos pais que encarem com otimismo a independência dos filhos e a busca por novos horizontes.

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