Autoridades dos EUA questionam eficiência de 'Viagra feminino'

Comitê da FDA se reúne na sexta-feira para avaliar os ricso apresentados pela droga flibanserina

Associated Press

16 Junho 2010 | 18h41

Autoridades sanitárias federais dos Estados Unidos informam que a primeira pílula projetada para funcionar como um estimulante da libido feminina falhou em produzir resultados significativos em dois estudos.

 

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A despeito da falha da substância em atingir o objetivo, a Administração de Drogas e Alimentos (FDA) disse que as mulheres informaram experiências sexuais ligeiramente mais satisfatórias.

 

A indústria Boehringer Ingelheim havia pedido à FDA aprovação para que sua droga flibanserina fosse recomendada para mulheres que informam falta de desejo sexual, um mercado que as empresas farmacêuticas têm em vista desde o sucesso do Viagra, há dez anos.

 

A busca pelo chamado "Viagra feminino" mostrou-se complexa, no entanto, com muitas drogas mostrando resultados insatisfatórios.

 

Na sexta-feira, 18, a FDA pedirá a um comitê de especialistas que avalie a segurança e a eficácia da droga da Boehringer. A agência não é obrigada a seguir a recomendação do comitê, embora frequentemente o faça.

 

A FDA também perguntará a seus especialistas que comentem os efeitos colaterais, como depressão, desmaios e tontura, experimentados entre as mulheres que tomaram a pílula.

 

A droga, que é relacionada a um grupo de antidepressivos, afeta a serotonina e outras substâncias do cérebro, embora não esteja claro como isso pode afetar o impulso sexual.

 

"Não sabemos especificamente qual o mecanismo exato de ação, mas acreditamos que ele age nas substâncias  do cérebro que têm um papel na resposta sexual humana", disse Peter Piliero, diretor-executivo de assuntos médicos da  Boehringer nos EUA.

 

A FDA já aprovou uma bomba de vácuo que estimula o fluxo sanguíneo para o clitóris como meio de aumentar a excitação sexual, mas todos os tratamentos farmacológicos propostos para a chamada "disfunção sexual feminina" fracassaram até agora. O mercado para um remédio do tipo é estimado em US$ 2 bilhões.

 

Em 2004, a Pfizer interrompeu seus estudos sobre o uso de Viagra em mulheres, por causa dos resultados inconclusivos. No mesmo ano, o comitê da FDA rejeitou o adesivo de testosterona proposto pela Procter & Gamble, por conta dos riscos de doença cardíaca e câncer.

 

Outras empresas trabalham com cremes e inaladores para estimular a sexualidade feminina.

 

A médica Elizabeth Kavaler, do Hospital Lennox de Nova York, disse que a excitação sexual da mulher é um processo complexo e que não é realista esperar que um pílula consiga resolver de vez o problema.

 

"Na disfunção sexual nos homens, há um problema mecânico principal", disse ela. "Nas mulheres, não há problema mecânico, então se ela não está tendo uma vida sexual bem-sucedida, onde está o problema?"

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