DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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'Só pensava em não prejudicar o bebê', diz auxiliar que descobriu câncer na gravidez

Grávida do quarto filho, Cleide Silva, na época com 30 anos, enfrentou seis meses de quimioterapia e no dia do parto foi submetida a uma cirurgia para retirar o tumor na mama; outubro é o mês de prevenção do câncer de mama

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

03 Outubro 2015 | 18h36

SÃO PAULO - Dias depois de descobrir a quarta gravidez, a auxiliar de limpeza Cleide Souza Silva, na época com 30 anos, começou a sentir fortes dores no peito. Ela disse ter achado que a dor estava relacionada à gravidez, mas procurou um médico. “Depois de muita insistência e de ter sido atendida por muitos médicos, a maioria sem dar importância para o que eu estava sentindo, fui diagnosticada com câncer de mama”, contou. Nesta quinta-feira, 1º, começou a campanha Outubro Rosa de prevenção ao câncer de mama.

Cleide disse que foi do “céu ao inferno” quando ouviu o diagnóstico. “Em um segundo eu pensei em tudo: quem iria cuidar dos meus filhos [que tinham 12, 8 e 7 anos de idade], como trataria a doença, como não prejudicar o bebê? Entrei em pânico.”

Ela foi encaminhada para o Instituto de Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), onde recebeu as primeiras orientações e fez todo o tratamento.

Como estava no começo da gestação, Cleide precisou esperar até o terceiro mês da gravidez para iniciar o tratamento de quimioterapia, que durou quase seis meses. “Foi um período muito difícil e só consegui superar graças a minha mãe e meu marido. Ela cuidava dos meus filhos o dia todo e ele me acompanhou em todas as consultas e sessões, perdeu até o emprego porque tinha que ficar no hospital comigo quase todos os dias”.

No mesmo dia do parto, Cleide também fez a quadrantectomia, cirurgia que remove parte da mama que foi afetada pelo tumor. “O Otávio nasceu saudável e lindo. Apesar de toda a medicação e tudo o que eu passei, nada o afetou. Para mim, foi um milagre”. A única coisa que ela disse lamentar foi não ter podido amamenta-lo, como fez com os outros filhos. “Mas foi um preço insignificante a pagar por estar viva e com o meu bebê saudável”.

Nova perspectiva. Um ano depois do nascimento do caçula, Cleide descobriu em consulta médica de rotina que desenvolveu um tumor na outra mama. “Dessa vez eu não fiquei triste, só pensava em me tratar o mais rápido para poder cuidar dos meus filhos. Não foi o fim do mundo como da primeira vez, eu estava muito mais tranquila”.

Agora, um ano e meio depois do diagnóstico do segundo tumor, ela está terminando o tratamento e disse que todo dia agradece por ter saúde e tempo para criar os filhos. “Tudo o que passei já está no passado. Nossa família superou junto a doença”, contou.

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