EFE/Sebastião Moreira
EFE/Sebastião Moreira

Avanço da covid-19 no interior paulista leva prefeitos na faixa vermelha a cogitar lockdown

A nova fase do Plano São Paulo rebaixou cinco regiões que estavam na faixa laranja: Franca, Araçatuba, Bauru, Sorocaba e Piracicaba

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2020 | 18h45

SOROCABA – Prefeitos das principais cidades do Interior que regrediram para a faixa vermelha do Plano São Paulo, nesta sexta-feira, 26, manifestaram preocupação com o avanço do novo coronavírus e já falam até em medidas mais duras, como o lockdown.  A nova fase rebaixou cinco regiões que estavam na faixa laranja: Franca, Araçatuba, Bauru, Sorocaba e Piracicaba. Outras quatro regiões – Presidente Prudente, Registro, Marília e Ribeirão Preto – foram mantidas na fase vermelha. Barretos saiu dessa fase para a laranja.

Em Sorocaba, a prefeitura já havia se antecipado ao plano estadual e fechado o comércio não essencial na última segunda-feira (22). Com a confirmação da nova fase, as medidas serão endurecidas. Um decreto assinado nesta sexta excluiu da lista do comércio essencial estabelecimentos que usam o registro no cadastro nacional de atividade econômica para ampliar sua gama de negócios. A fiscalização será mais rigorosa e, quem descumprir as regras, pode ser levado à polícia.

A prefeita Jaqueline Coutinho (sem partido), disse que a atividade econômica é importante, mas a obrigação maior é salvar vidas, não descartando a possibilidade de adotar o lockdown, um confinamento mais rigoroso. “O quadro de hoje é de aumento no número de casos e de óbitos, além de aumento na taxa de ocupação de leitos. Nossa preocupação é ter condições de atender quem precisar. Se for necessário tomar outras medidas restritivas, inclusive o lockdown, nós vamos tomar. Hoje isso não é necessário, mas se o número de casos aumentar de forma exponencial, de maneira a causar saturação no sistema de saúde, tenham certeza de que adotarei”, disse.

Nos últimos dez dias, Sorocaba registrou mais que o dobro dos casos acumulados durante os três meses iniciais da pandemia. Do primeiro caso, em 24 de março, a 15 de junho, foram 1.837 infectados. Nos dez dias seguintes foram registrados 2.035 novos casos, 111% a mais, totalizando 3.872. O número de óbitos chegou a 109. A escalada coincide com a reabertura do comércio. No último fim de semana, com 100% dos leitos de UTI ocupados, a cidade transferiu pacientes para a capital.

A prefeitura de Bauru, que havia publicado decreto no início da semana permitindo a abertura de salões de beleza e barbearias, decidiu voltar atrás. Um novo decreto será publicado neste sábado, 27, adotando as regras mais rígidas previstas para a fase vermelha. O município informou que Bauru vai seguir as determinações do governo estadual em relação à pandemia. Outras 67 cidades da região também passaram para a fase vermelha.

Em Araçatuba, mesmo com a pressão do comércio, o prefeito Dilador Borges (PSDB) disse que as regras e restrições da faixa vermelha serão respeitadas e não há intenção de entrar com recurso contestando os dados apresentados pelo governo estadual. “Pretendemos ainda adotar algumas medidas mais restritivas, como restringir o acesso de pessoas em alguns espaços públicos, como praças, parque e canteiros de avenidas que são utilizados para práticas de caminhadas ou exercícios”, disse.

Depois de resistir durante uma semana, a prefeitura de Registro acatou o plano estadual e decidiu fechar o comércio não essencial, que permanecia aberto. A cidade estava na fase vermelha, porém, a prefeitura havia adotado as regras da laranja. “Uma decisão difícil, mas necessária neste momento, quando critérios técnicos apontam crescimento da pandemia na cidade. Não medimos esforços para nos manter na fase de cor laranja do Plano São Paulo, recorremos, porém a conclusão final não foi favorável ao município”, declarou o prefeito Gilson Fantin (PSDB). Na fase laranja do plano, a prefeitura de São José do Rio Preto decidiu decretar o que o prefeito Edinho Araújo (MDB) chamou de ‘mini-lockdown’ na cidade.

A partir deste fim de semana, os serviços não essenciais passam a funcionar durante seis horas – duas a mais que o previsto – em horários alternados, mas só de quarta-feira a sábado, fechando de domingo a terça. “É uma medida importante para salvar vidas. Fizemos uma proposta e o governo estadual fez uma contraproposta, que foi aprovada pelo comitê gestor. Vamos fazer um mini-lockdown, respeitando a vida sem deixar a economia entrar em colapso”, disse. A prefeitura de Campinas vai fechar o comércio de rua e prorrogar o fechamento dos shoppings até o dia 5 de julho, apesar de continuar na fase laranja do plano.

O prefeito Jonas Donizette (PSB) disse que a prefeitura tem recebido denúncia de comércio burlando a quarentena e vai aumentar a fiscalização, inclusive dos camelôs. A cidade registra 277 mortes – 6 confirmados nesta sexta - e 7.027 casos de coronavírus.  “Junho foi um mês difícil em termos de perdas de vida e de enfrentamento da doença. Tivemos até agora 557 sepultamentos, contra 473 de junho passado. É uma interferência direta do vírus na perda de vidas”, disse o prefeito.

 

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