Bactérias que produzem ímãs inspiram computadores do futuro

Organismos aquáticos produzem ímãs após ingerir ferro e nadam seguindo as linhas dos campos magnéticos da Terra na busca de concentrações de oxigênio

Efe,

07 de maio de 2012 | 18h00

 Algumas bactérias que produzem ímãs após ingerir ferro estão sendo usadas como inspiração para criar peças internas de computadores do futuro, segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira, 7, no Reino Unido.

Um grupo de cientistas da Universidade de Leeds, na Inglaterra, e da Universidade de Agricultura e Tecnologia, no Japão, reproduziram o processo dos microrganismos, que, por suas características evolutivas, possuem em seu interior pequenos ímãs parecidos com os de discos duros dos computadores.

"Estamos chegando aos limites da fabricação eletrônica tradicional à medida que as peças dos computadores devem ser cada vez menores", declarou à "BBC" Sarah Staniland, especialista da Universidade de Leeds.

"As máquinas que utilizamos para construí-los não alcançam escalas tão pequenas. Mas a natureza nos ajudou com a ferramenta perfeita para enfrentar este problema", acrescentou.

Os cientistas, cujo trabalho foi publicado na revista "Small", se concentram em resolver a questão das bactérias "Magnetospirillum magneticum", que vive em ambientes aquáticos como lagos ou balsas, onde o oxigênio é escasso.

Estes seres nadam seguindo as linhas dos campos magnéticos da Terra, alinhando-se como se fossem uma bússola, na busca de concentrações de oxigênio. Ao ingerirem ferro, o elemento entra em contato com certas proteínas em seu corpo e a interação produz pequenos cristais de magnetita, o mais magnético do planeta.

Após estudar como estes micróbios recolhem, moldam e posicionam os nanoimãs dentro de si, os cientistas copiaram o método e aplicaram fora das bactérias, como forma de aumentar os ímãs.

Os especialistas acham que esta técnica poderia ser utilizada para construir discos duros dos computadores do futuro, com um tamanho cada vez mais reduzido.

Além de reproduzir estes pequenos ímãs, os especialistas conseguiram também criar pequenos cabos elétricos com a ajuda de organismos vivos, a partir da membrana de células artificiais criadas no laboratório.

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