Juan Ignacio Roncoroni / EFE
Nove casos são confirmados no país. O último caso foi registrado na Bahia;  Juan Ignacio Roncoroni / EFE

Bahia registra primeiro caso de coronavírus; é o nono confirmado no país

Paciente é uma mulher de 34 anos, residente na cidade de Feira de Santana, que retornou da Itália em 25 de fevereiro, com passagens por Milão e Roma. Caso é o primeiro do Nordeste

Sandy Oliveira, Julia Lindner e Fernanda Santana, especial para, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2020 | 09h06
Atualizado 06 de março de 2020 | 15h14

SÃO PAULO , BRASÍLIA E SALVADOR - A Bahia confirmou o primeiro caso de coronavírus no estado. Em nota, a secretaria estadual da Saúde informa que trata-se de uma mulher de 34 anos, residente na cidade de Feira de Santana, que retornou da Itália em 25 de fevereiro, com passagens por Milão e Roma. É o primeiro caso confirmado da doença no Nordeste. 

Em nota divulgada no final da manhã, o Ministério da Saúde confirmou esse como sendo o nono caso da doença no país. De acordo com o governo da Bahia, o primeiro atendimento e as amostras foram coletadas em um hospital particular da capital baiana, sendo enviadas para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, que é a referência nacional do Ministério da Saúde. O resultado laboratorial confirmando o diagnóstico foi concluído hoje. 

Acompanhe a cobertura ao vivo

De acordo com o secretário da Saúde do Estado da Bahia, Fábio Vilas-Boas, "trata-se de um caso importado. A paciente contaminou-se na Europa e veio manifestar os sintomas depois de ter chegado ao Brasil. Isso é diferente de haver uma contaminação interna no estado e, portanto, todas as medidas de contenção para garantir que não houve a contaminação de outras pessoas foram e estão sendo tomadas pela vigilância estadual, municipal e Núcleo Regional de Saúde Leste", afirma o secretário. 

A paciente encontra-se em casa, na cidade de Feira de Santana, assintomática, com orientação de permanecer em isolamento, adotando as medidas de precaução de contato e respiratório. O monitoramento é realizado pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde da Bahia (Cievs-BA) em conjunto com a vigilância municipal de Feira de Santana.  

Dois familiares da paciente são monitorados e não apresentam sintomas da doença. O monitoramento do caso será realizado por ligação, feita diariamente, pela vigilância municipal de Feira de Santana, o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde da Bahia (Cievs-BA) e o Núcleo Regional de Saúde Leste. Os três serão questionados sobre se há sintomas e se houve alguma alteração no quadro de saúde, por exemplo. A paciente também receberá visitas diárias de profissionais de saúde.

Por enquanto, a secretaria de Saúde da Bahia afirma que não haverá mudança de protocolos. 

A última atualização feita na plataforma do Ministério da Saúde mostra que a Bahia tem 23 casos suspeitos da doença. Nos demais estados, o cenário de casos suspeitos é: Piauí (1), Ceará (16), Rio Grande do Norte (4), Paraíba (4), Pernambuco (8), Alagoas (6) e Sergipe (2). O Maranhão não tem casos suspeitos. Com isso, o Nordeste tem 64 casos suspeitos do novo coronavírus. 

O número de casos suspeitos da doença no país subiu de 531 para 636 de quarta para quinta-feira, no último balanço divulgado pelo Ministério da Saúde. Já foram descartadas 378 análises. Os Estados com mais casos suspeitos são: São Paulo (182), Rio Grande do Sul (104), Minas Gerais (80) e Rio de Janeiro (79).

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, esteve com o presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto, para falar sobre a situação da doença no Brasil. Bolsonaro embarca neste sábado, 7, para os Estados Unidos, onde ficará até a próxima quarta-feira, 11.

"Sempre quando temos essas mudanças de nível, eu sempre deixo o presidente a par. Ele está no comando de todos os ministérios. E (são) as mesmas orientações que ele meu deu no início, converse com a população, transparência total nos dados, vamos transmitir calma para a população", disse o ministro após o encontro.

Mandetta contou que apresentou ao presidente preocupações “típicas” da pasta, como a alta de preço para compra de máscaras para proteção. Ele também voltou a dizer que a transmissão da doença é diferente da comunitária ou sustentada, ou seja, não é massiva. Para Mandetta, "o mundo não pode parar" por causa do coronavírus. "O que precisa é ter cautela, precaução, cuidados, mas nada que seja intransponível", defendeu.

 

Casos de coronavírus no Brasil 

O primeiro caso: homem de 61 anos

Na noite da terça-feira, 25, o Brasil confirmou o primeiro caso de coronavírus. Trata-se de um homem de 61 anos, residente em São Paulo e com histórico de viagens para a Itália, país que vive um surto da doença. Ele apresentou sinais brandos do vírus e foi orientado a permanecer em isolamento domiciliar.

O segundo caso: funcionário da XP

O segundo caso do Brasil foi confirmado no sábado, 29, e o paciente também havia retornado da Itália para a cidade de São Paulo. O infectado é um homem de 32 anos que procurou o Hospital Israelita Albert Einstein (assim como o primeiro caso) para atendimento. Ele havia viajado a Milão e apresentou tosse, dor de garganta e dor de cabeça. Seu quadro foi considerado leve e estável e o homem também foi orientado a permanecer em casa.

O homem é funcionário da XP Investimentos. Em uma medida preventiva, a XP  recomendou aos colaboradores que estiveram em algum país da chamada “zona de risco” nas últimas duas semanas que trabalhem de casa por pelo menos 14 dias.

O terceiro caso: colombiano vindo da Europa

A confirmação do terceiro caso veio nesta quarta-feira, 4. O terceiro paciente confirmado com a doença é um administrador de empresas colombiano, de 46 anos, que vive na cidade de São Paulo e que viajou ao exterior ao longo do mês de fevereiro. Ele foi à Espanha no dia 9 de fevereiro e passou pela Itália, Áustria e Alemanha antes de retornar à capital paulista, em 29 de fevereiro. Com tosse, dor de gargante e cabeça, ele procurou o Hospital Israelita Albert Einstein nesta quarta-feira, 4, onde o teste foi realizado e a confirmação ocorreu. 

O quarto caso: adolescente assintomática

O quarto caso confirmado de coronavírus no Brasil foi de uma adolescente de 13 anos que retornou de viagem da Itália para São Paulo. A confirmação ocorreu nesta quinta-feira, 5. A jovem, que esteve na Itália - país que registra elevado número de casos da doença - e voltou ao Brasil no domingo, dia 1º, foi atendida no Hospital Beneficiência Portuguesa, em São Paulo, na terça-feira, 3. As amostras coletadas foram encaminhadas ao Laboratório Fleury. O resultado do exame foi positivo. A contraprova foi realizada pelo Instituto Adolfo Lutz, que confirmou a infecção pelo vírus. 

O caso da jovem também é o primeiro com paciente que não apresentou sintomas. Clínico e infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Paulo Olzon explica que, no caso de doenças infecciosas, é possível que pacientes não apresentem sintomas. Ela é estudante do colégio Bandeirantes, na zona sul de São Paulo. A escola, uma das mais tradicionais da capital, enviou comunicado aos pais para tranquilizar sobre a situação. A estudante não frequentou as aulas desde que voltou de viagem da Itália. 

Quinto e sexto casos: duas transmissões locais

Quatro outros casos também tiveram confirmação nesta quinta: mais dois em São Paulo, totalizando seis no Estado, um no Rio de Janeiro e outro no Espírito Santo. Os dois novos casos de São Paulo foram os primeiros caracterizados como de transmissão local, ou seja, a infecção ocorreu em território brasileiro. 

As pessoas infectadas dentro do País têm relação com o primeiro caso confirmado, de um homem de 61 anos, e são do sexo feminino. A primeira pegou a infecção por contato com o homem durante reunião de cerca de 30 pessoas. Na sequência, ela transmitiu a doença para a outra paciente. Não há detalhes ainda sobre a evolução clínica do primeiro paciente diagnosticada no Brasil. Sabe-se que ele continua com sintomas e está em casa.

Sétimo e oitavo casos: Rio e Espírito Santo

O caso do Rio é de uma mulher brasileira de 27 anos que mora em Barra Mansa e esteve na Europa, passando por Itália e Alemanha entre 9 e 23 de fevereiro. Ela apresentou sintomas no dia 17 de fevereiro (tosse, coriza e falta de ar) e buscou atendimento médico no Brasil em 2 de março, segundo o ministério. O caso do Espírito Santo é de uma mulher de 37 anos.

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OMS teme desabastecimento de remédios e oxigênio medicinal

Entidade diz que monitora possível falta de suprimentos médicos no mundo com epidemia

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2020 | 13h34

SÃO PAULO - A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta sexta-feira, 6, que monitora o potencial risco de desabastecimento de remédios e outros suprimentos médicos por causa do surto de coronavírus que atinge mais de 80 países e territórios.

Segundo balanço apresentado pela entidade na tarde desta sexta-feira, 6, já são 98.023 casos e 3.380 mortes pelo coronavírus confirmadas em todo o mundo. Nas últimas 24 horas, foram 2.736 novos registros em 47 países e territórios. 

Em entrevista coletiva de imprensa, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou que a falta de remédios é uma possibilidade não só pela alta na demanda de suprimentos médicos, mas pelo fato de a China ser um dos principais produtores de insumos para essa indústria. "A China é uma grande produtora de princípios ativos e de produtos intermediários que são usados para produzir remédios em outros países. A OMS concentra-se nos remédios essenciais para atenção básica e emergências", disse ele.

Ghebreyesus afirmou que a organização está trabalhando com associações de indústrias, agências regulatórias e outros parceiros para monitorar esse risco de desabastecimento. Até agora, diz a OMS, não foi identificado nenhum risco iminente de falta de remédios, mas a entidade demonstrou preocupação com a situação de abastecimento de oxigênio medicinal.

"O acesso ao oxigênio medicinal pode ser a diferença entre a vida e a morte para alguns pacientes, mas já há escassez em alguns países, o que pode ser agravado por essa epidemia de Covid-19", declarou Ghebreyesus. Ele afirmou que a OMS tem um grupo de trabalho com fundações internacionais para aumentar o acesso ao oxigênio medicinal.

Na coletiva de imprensa, o diretor-geral destacou novamente a importância de os países priorizarem medidas de contenção do surto, mesmo com o aumento de casos. Ele defendeu que tornar a disseminação mais lenta pode salvar vidas ao dar mais tempo de preparação aos governos e sistemas de saúde. 

“Cada dia que conseguimos desacelerar a epidemia é um dia a mais que os hospitais podem se preparar, um dia a mais que os governos podem preparar seus profissionais de saúde para detectar, testar, tratar e cuidar dos pacientes, um dia que estaremos mais próximos de vacinas e tratamentos”, declarou Ghebreyesus.

O diretor-geral da OMS informou que a entidade publicará hoje um documento que reúne as áreas prioritárias de pesquisa científica para o coronavírus. O guia foi elaborado a partir de contribuições de 400 especialistas que se reuniram em fevereiro na OMS.

Questionados nesta sexta-feira sobre as taxas de mortalidade da doença, hoje em torno de 3,4%, as lideranças da OMS afirmaram que ainda não é possível saber a real letalidade da doença, tendo em vista que não se sabe o porcentual de doentes assintomáticos. 

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Pesquisadores da USP produzem coronavírus em laboratório

Vírus foi cultivado por cientistas a partir de amostras dos dois primeiros pacientes brasileiros diagnosticados com a doença no Hospital Albert Einstein

Elton Alisson, Agência Fapesp

06 de março de 2020 | 12h51

SÃO PAULO - Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) conseguiram isolar e cultivar em laboratório o coronavírus SARS-CoV-2, obtido dos dois primeiros pacientes brasileiros diagnosticados com a doença no Hospital Israelita Albert Einstein.

Os vírus serão distribuídos para grupos de pesquisa e laboratórios clínicos públicos e privados em todo o país com o objetivo de ampliar a capacidade de realização de testes diagnósticos e avançar em estudos sobre como a doença é causada e se propaga.

“A disponibilização de amostras desse vírus cultivados em células permitirá aos laboratórios clínicos terem controles positivos para validar os testes de diagnóstico, de modo a assegurar que realmente funcionem”, disse, à Agência Fapesp, Edison Luiz Durigon, professor do ICB-USP e coordenador do projeto, apoiado pela Fapesp.

De acordo com o pesquisador, a falta dessas amostras do vírus para serem usadas como controles positivos era um dos fatores que limitavam o diagnóstico de coronavírus no Brasil.

Como o SARS-CoV-2 surgiu no exterior, as amostras de vírus que têm sido utilizadas como controle positivo nas técnicas de diagnóstico empregadas por laboratórios brasileiros nesse início do surto no País são importadas da Europa e dos Estados Unidos, a um custo que varia entre R$ 12 mil e R$ 14 mil.

Por isso, o diagnóstico de casos da doença no País tem sido feito principalmente por laboratórios privados e laboratórios de referência no setor público que têm recebido os casos suspeitos.

Na rede pública, quatro laboratórios de referência nacional realizam os testes atualmente: Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo; Instituto Evandro Chagas, no Pará; Fiocruz, no Rio de Janeiro; e Laboratório Central de Goiás, que foi capacitado para realização do exame específico para coronavírus dos brasileiros repatriados da China.

O primeiro teste tem sido feito pelos hospitais de referência de cada estado e o material coletado é então encaminhado para um desses quatro laboratórios para contraprova.

“Os vírus que conseguimos cultivar em laboratório poderão ser usados em um kit para diagnóstico que o Ministério da Saúde distribuirá para os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacens) em todo o país. Com isso, todos os estados estarão aptos a realizar o diagnóstico”, disse Durigon.

Os vírus serão distribuídos para os laboratórios clínicos inativados, ou seja, sem a capacidade de infectar células, e em temperatura ambiente. Os vírus importados hoje pelos laboratórios brasileiros têm de ser transportados sob refrigeração, em gelo seco, o que encarece muito o frete, explicou o pesquisador.

Os laboratórios clínicos receberão alíquotas com mais ou menos 1 mililitro (ml) de vírus inativado. O ácido nucleico dessas amostras será então extraído e usado como controle positivo em exame baseado na técnica conhecida como RT-PCR (reação da cadeia da polimerase em tempo real, na sigla em inglês).

Essa técnica permite amplificar o genoma do vírus em uma amostra clínica, aumentando em milhões o número de cópias do RNA do coronavírus. Dessa forma, é possível detectá-lo e quantificá-lo em uma amostra clínica.

“O PCR permite fazer o diagnóstico em até quatro horas. Mas ainda são poucos os laboratórios no país que têm o equipamento disponível”, disse Durigon.

A fim de superar essa limitação, os pesquisadores também pretendem desenvolver outros testes de diagnóstico baseados em outras técnicas mais acessíveis, como análise por imunoflorescência – método que permite visualizar antígenos em uma amostra por meio de corantes fluorescentes.

“Se conseguirmos validar um teste desse tipo específico para o coronavírus seria possível que outros laboratórios e hospitais que não têm o equipamento para o exame por RT-PCR também façam diagnóstico”, avaliou Durigon.

O legado do zika

Segundo o pesquisador, o isolamento e a reprodução do coronavírus em laboratório foram possíveis por meio de recursos obtidos da Fapesp para a instalação no ICB-USP de dois laboratórios de nível de biossegurança 3, destinados à manipulação de agentes com potencial de causar doenças graves ou infecção letal. A infraestrutura foi inicialmente criada para o cultivo do vírus zika.

A construção desses laboratórios no início de 2016, no auge da epidemia do vírus zika no país, tem permitido cultivar, agora, não só o coronavírus, mas também o influenza (causador da gripe) e outros, a fim de avançar no diagnóstico de vírus emergentes, ressaltou Durigon.

“Quando houve o surto de zika, no final de 2015, fomos pegos de surpresa e conseguimos, com recursos da FAPESP, também ser os primeiros a isolá-lo e cultivá-lo em laboratório para disponibilizá-lo para os laboratórios e grupos de pesquisa”, disse.

Por meio de um projeto denominado “Genoma Vírus”, também apoiado pela FAPESP, iniciado em 2003, foi possível formar e capacitar uma rede de 18 laboratórios no Estado de São Paulo para fazer diagnóstico de vírus respiratório por RT-PCR e sequenciamento de genoma.

Com o surgimento do vírus zika, a rede foi acionada e permitiu avançar no diagnóstico e na compreensão da doença no país, afirmou Durigon.

“Por isso o financiamento contínuo à pesquisa é importante. Em razão dos investimentos feitos no passado há uma infraestrutura de pesquisa em São Paulo que permitirá responder mais rapidamente às demandas, sem sair do zero”, disse.

O grupo de pesquisadores da USP tem monitorado a circulação sazonal de quatro outros coronavírus nos país. Os resultados dos estudos indicaram que a circulação acontece principalmente no inverno.

“É provável que São Paulo e Rio Grande do Sul tenham maior número de casos de infecção no inverno porque são os estados mais frios”, afirmou Durigon.

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Ministério da Saúde envia orientações para servidores federais

Entre os cuidados, mensagem sugere que funcionários doentes fiquem em casa.

Luísa Laval, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2020 | 12h02

Correções: 06/03/2020 | 16h08

Servidores federais do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH) receberam, nesta sexta-feira, 6, um e-mail com orientações do Ministério da Saúde sobre o diagnóstico do coronavírus e cuidados básicos de higiene no ambiente de trabalho. A mensagem também divulga o aplicativo oficial Coronavírus-SUS, que contém dados oficiais sobre a propagação do vírus e mapas de unidades de atendimento. 

Entre as medidas de prevenção, o governo orienta que funcionários doentes fiquem em casa, evitem contato com pessoas que apresentem sintomas da doença e a limpeza de objetos e superfícies tocados com frequência.  

Leia a íntegra do e-mail enviado aos servidores

"Prezado(a) servidor(a), colaborador(a),

Diante da recente Emergência em Saúde Pública causada pelo Coronavírus (COVID-19), o Ministério da Economia divulga o aplicativo Coronavírus-SUS. O Aplicativo foi desenvolvido pelo Ministério da Saúde e fornece informações, dicas, mapa de unidades de saúde, além de uma avaliação rápida sobre a relação de sintomas relatados com a definição de caso suspeito do vírus.

Reforçamos que as fontes de informação oficiais do Governo Federal disponibilizam dados qualificados e baseados em evidências capazes de dirimir dúvidas e combater eventuais equívocos sobre o tema.

Baixe o aplicativo e tenha sempre a informação oficial sobre o Coronavírus.

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  • iOS

Quais são os sintomas do coronavírus?

Os sinais e sintomas do coronavírus são principalmente respiratórios, semelhantes a um resfriado. Podem, também, causar infecção do trato respiratório inferior, como as pneumonias. No entanto, o coronavírus (SARS-CoV-2) ainda precisa de mais estudos e investigações para caracterizar melhor os sinais e sintomas da doença. 

Os principais são sintomas conhecidos até o momento são:

  • Febre.
  • Tosse.
  • Dificuldade para respirar.

Como prevenir o coronavírus?

O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o coronavírus. Entre as medidas estão:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool.
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes.
  • Ficar em casa quando estiver doente.
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo.
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com freqüência.

Fonte: https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/coronavirus#prevencao"

Correções
06/03/2020 | 16h08

O Estado informou, inicialmente, que o Ministério da Saúde encaminhou o e-mail para servidores federais. Na verdade, a mensagem foi enviada pelo setor de Gestão de Pessoas para os servidores do MDH.

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O que se sabe até agora sobre os casos de coronavírus no Brasil

Seis dos nove casos foram confirmados em São Paulo e dois deles ocorreram por transmissão local. Há 636 casos considerados suspeitos no País

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2020 | 07h00

SÃO PAULO - O Brasil registra até agora nove casos confirmados do novo coronavírus. Seis deles foram importados por pessoas que estiveram em países que vivem um surto da doença, como a Itália. Outros dois ocorreram por transmissão local. O Brasil monitora 636 casos considerados suspeitos. Veja o que se sabe até agora sobre todos os casos brasileiros confirmados: 

Casos de coronavírus confirmados por Estado

  • São Paulo - 6
  • Rio de Janeiro - 1
  • Espírito Santo - 1
  • Bahia - 1

Casos de coronavírus no Brasil por data

O primeiro caso: homem de 61 anos

Na noite da terça-feira, 25, o Brasil confirmou o primeiro caso de coronavírus. Trata-se de um homem de 61 anos, residente em São Paulo e com histórico de viagens para a Itália, país que vive um surto da doença. Ele apresentou sinais brandos do vírus e foi orientado a permanecer em isolamento domiciliar.

O segundo caso: funcionário da XP

O segundo caso do Brasil foi confirmado no sábado, 29, e o paciente também havia retornado da Itália para a cidade de São Paulo. O infectado é um homem de 32 anos que procurou o Hospital Israelita Albert Einstein (assim como o primeiro caso) para atendimento. Ele havia viajado a Milão e apresentou tosse, dor de garganta e dor de cabeça. Seu quadro foi considerado leve e estável e o homem também foi orientado a permanecer em casa.

O homem é funcionário da XP Investimentos. Em uma medida preventiva, a XP  recomendou aos colaboradores que estiveram em algum país da chamada “zona de risco” nas últimas duas semanas que trabalhem de casa por pelo menos 14 dias.

O terceiro caso: colombiano vindo da Europa

A confirmação do terceiro caso veio nesta quarta-feira, 4. O terceiro paciente confirmado com a doença é um administrador de empresas colombiano, de 46 anos, que vive na cidade de São Paulo e que viajou ao exterior ao longo do mês de fevereiro. Ele foi à Espanha no dia 9 de fevereiro e passou pela Itália, Áustria e Alemanha antes de retornar à capital paulista, em 29 de fevereiro. Com tosse, dor de gargante e cabeça, ele procurou o Hospital Israelita Albert Einstein nesta quarta-feira, 4, onde o teste foi realizado e a confirmação ocorreu. 

O quarto caso: adolescente assintomática

O quarto caso confirmado de coronavírus no Brasil foi de uma adolescente de 13 anos que retornou de viagem da Itália para São Paulo. A confirmação ocorreu nesta quinta-feira, 5. A jovem, que esteve na Itália - país que registra elevado número de casos da doença - e voltou ao Brasil no domingo, dia 1º, foi atendida no Hospital Beneficiência Portuguesa, em São Paulo, na terça-feira, 3. As amostras coletadas foram encaminhadas ao Laboratório Fleury. O resultado do exame foi positivo. A contraprova foi realizada pelo Instituto Adolfo Lutz, que confirmou a infecção pelo vírus. 

O caso da jovem também é o primeiro com paciente que não apresentou sintomas. Clínico e infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Paulo Olzon explica que, no caso de doenças infecciosas, é possível que pacientes não apresentem sintomas. Ela é estudante do colégio Bandeirantes, na zona sul de São Paulo. A escola, uma das mais tradicionais da capital, enviou comunicado aos pais para tranquilizar sobre a situação. A estudante não frequentou as aulas desde que voltou de viagem da Itália. 

Quinto e sexto casos: duas transmissões locais

Quatro outros casos também tiveram confirmação nesta quinta: mais dois em São Paulo, totalizando seis no Estado, um no Rio de Janeiro e outro no Espírito Santo. Os dois novos casos de São Paulo foram os primeiros caracterizados como de transmissão local, ou seja, a infecção ocorreu em território brasileiro. 

As pessoas infectadas dentro do País têm relação com o primeiro caso confirmado, de um homem de 61 anos, e são do sexo feminino. A primeira pegou a infecção por contato com o homem durante reunião de cerca de 30 pessoas. Na sequência, ela transmitiu a doença para a outra paciente. Não há detalhes ainda sobre a evolução clínica do primeiro paciente diagnosticada no Brasil. Sabe-se que ele continua com sintomas e está em casa.

Sétimo e oitavo casos: Rio e Espírito Santo

O caso do Rio é de uma mulher brasileira de 27 anos que mora em Barra Mansa e esteve na Europa, passando por Itália e Alemanha entre 9 e 23 de fevereiro. Ela apresentou sintomas no dia 17 de fevereiro (tosse, coriza e falta de ar) e buscou atendimento médico no Brasil em 2 de março, segundo o ministério. O caso do Espírito Santo é de uma mulher de 37 anos.

Primeiro caso no Nordeste 

 

O caso da Bahia é de uma mulher de 34 anos, que mora na cidade de Feira de Santana, que retornou da Itália em 25 de fevereiro, com passagens por Milão e Roma. O primeiro atendimento e as amostras foram coletadas em um hospital particular. A paciente encontra-se em casa, na cidade de Feira de Santana, assintomática, com orientação de permanecer em isolamento, adotando as medidas de precaução de contato e respiratório. 

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Coronavírus muda rotina no aeroporto de Guarulhos

A preocupação com a epidemia do Covid-19 mudou o ambiente no maior aeroporto do País e da América do Sul; funcionários usam máscaras e luvas enquanto passageiros levam álcool gel na bagagem

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2020 | 06h30
Atualizado 06 de março de 2020 | 21h29

SÃO PAULO - A chegada do coronavírus no Brasil está criando novos hábitos entre passageiros e modificando a rotina de funcionários no aeroporto de Guarulhos, o maior da América do Sul e o segundo maior da América Latina, com movimentação de mais de 120 mil passageiros por dia. Os viajantes incorporaram novos itens antes de fechar a mala para viajar: o álcool gel – e também as máscaras. Os trabalhadores usam novos equipamentos de proteção individual (EPIs), como máscaras e luvas.

De partida para um passeio de 15 dias a Londres, o aposentado Edvaldo Monteiro de Oliveira levou 20 frascos de álcool gel na bagagem. No setor de embarque do aeroporto de Guarulhos, ele também estava com uma máscara. “Não existe motivo para pânico, mas é melhor prevenir”, afirma. “Foi uma das primeiras coisas que coloquei na mala”, completa.

A preocupação com a prevenção também fez com que a família do investidor Wilian Guedes fosse inteirinha de máscara ao aeroporto. Além dele, estavam a mulher, Gisele Ferraz, a filha, Anajara Ferraz, e Marina Souza Santos. Eles foram receber Meiri McDonalds, filha da Marina, que também chegou de máscara, vindo de Orlando, na Flórida. “Falta ao Brasil um pouco de prevenção. A gente só se preocupa depois que os casos acontecessem”, aponta Gisele, que é fisioterapeuta.

A estudante de Nutrição Jordana Oliveira Costa acabou de retornar ao Brasil. Ela comprou uma caixa com 50 máscaras quando viajou para os Estados Unidos para passar as férias com a tia, Sirlei Costa. Lá, comprou mais. Não tirou o acessório para nada durante os 33 dias que ficaram na Califórnia, de 29 de janeiro a 4 de março. “A gente se preocupou desde o início da viagem. Só tiramos as máscara nas para comer ou quando percebíamos que era hora de trocar”, diz a moradora de Goiânia.

Funcionários incorporam as máscaras

A presença de profissionais com máscaras e luvas evidencia a preocupação com a doença, que já tem 13 casos confirmados no País. O uso se intensificou nas últimas duas semanas.

O Estado presenciou na quinta-feira, 5, a utilização de luvas e máscaras por grande parte do funcionários das áreas de atendimento, limpeza e higiene ou organização dos espaços, como os responsáveis por recolher os carrinhos de bagagem. 

No início de fevereiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou as orientações sobre o uso de EPIs não só para profissionais que atuam em aeroportos, mas em portos e áreas de fronteira. 

"Caso haja (casos) suspeitos, a Anvisa recomenda o uso de máscara cirúrgica, avental, óculos de proteção e luvas. Profissionais que realizam inspeção de bagagens acompanhadas devem usar máscara cirúrgica e luvas", informa nota da agência, que também orienta que tripulantes de voos internacionais, agentes aeroportuários e funcionários de lojas duty-free utilizem máscaras cirúrgicas.

Juciléia Maria é uma dessas profissionais. Funcionária de uma empresa terceirizada há três meses, ela conta que se sente mais segura com a proteção. Ela não tem ideia de quantos carrinhos recolhe diariamente no Terminal 3 muito menos de quantas mãos passam por ali. “Muitas pessoas usam os carrinhos diariamente e a gente não sabe quem está com o coronavírus. É uma segurança para nós”, diz Juciléia.

Presidente do Sindicato dos Aeroviários de Guarulhos (Sindigru), Rodrigo Maciel diz que a entidade está acompanhando a situação dos profissionais e verificando se as medidas de proteção estão sendo cumpridas.

"Nós orientamos as empresas, que estão oferecendo os equipamentos de proteção. Também desenvolvemos um canal de denúncias para dar suporte aos funcionários que não estão recebendo luvas e máscaras”, afirma.

Números do sindicato apontam mais de 20 mil trabalhadores no local, sendo 12 mil em contato aeronaves e operações de solo.

Na opinião do sindicalista, a ocorrência de 3,2 mil mortes e mais de 95 mil infectados pelo novo coronavírus deixa os trabalhadores preocupados. “Esta situação está deixando todos apreensivos por não depender somente da nossa atuação como fizemos em outras contingências”.

Alerta sonoro

Desde o final de janeiro, os principais aeroportos do Brasil passaram a usar um alerta sonoro sobre o coronavírus. As mensagens de um minuto de duração - em português, inglês e mandarim - informam sobre os sintomas da doença e as medidas para evitar a transmissão.

Ouça a mensagem, em português, de alerta contra o coronavírus:

A orientação passada pela Anvisa aos aeroportos é para que os órgãos sanitários sejam notificados imediatamente em caso de suspeita - pessoas que estão em vias de desembarque e apresentam sintomas como tosse, febre e dificuldade para respirar. No caso dos passageiros a bordo, os tripulantes foram orientados a informar o comandante do voo se houver suspeita. Este, por sua vez, fará contato com a torre de controle do aeroporto, que acionará a Anvisa.

O passageiro com sintomas será abordado antes do desembarque para a checar a situação. A Anvisa aciona o serviço médico do aeroporto e a vigilância sanitária do município e a equipe vai a bordo para avaliar o paciente. Se o médico descartar o caso, o desembarque dos passageiros é liberado. Caso a suspeita seja mantida, o passageiro doente é removido para um hospital de referência. Os demais passageiros são entrevistados pela vigilância epidemiológica para que possam ser monitorados. A aeronave passa por desinfecção, inclusive dos efluentes.

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