Banco de Sangue de Cordão Umbilical chega a todas as regiões do País

Norte recebe o 9º de 13 bancos espalhados pelo Brasil; ampliação quer aumentar transplantes de medula

estadão.com.br

24 Junho 2010 | 18h14

SÃO PAULO - A partir desta quinta-feira, 24, todas as regiões do Brasil passam a ter uma unidade da Rede de Bancos Públicos de Sangue de Cordão Umbilical (Rede BrasilCord). A região Norte recebe em Belém (PA) o nono de 13 bancos que estão sendo espalhados pelo País. A ampliação da rede tem o objetivo de aumentar as chances de realização de transplantes de medula óssea.

 

O crescimento de doadores e a iniciativa do BrasilCord promoveram uma reversão no setor. Se em 2000, apenas 10% dos transplantes eram realizados com doadores nacionais, hoje esse número passou para 64%. O total de inscritos no Registro nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) saltou de 12 mil para 1,6 milhão nesse período.

 

O investimento médio no banco de sangue de Belém foi de R$ 3,5 milhões, e a nova unidade tem capacidade para até 3.600 bolsas de sangue de cordão. Como os demais, o novo banco foi viabilizado com R$ 31,5 milhões obtidos por convênio com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 2008. A Fundação do Câncer administra financeiramente o projeto, que é implementado em parceria com o Instituto Nacional de Câncer (Inca).

 

A Rede BrasilCord é abastecida com material genético das populações das mais diversas regiões do País, e a meta é atingir, até 2011, 13 bancos brasileiros. "A intensa miscigenação étnica da população brasileira dificulta a localização nos registros de doadores voluntários existentes", afirma Luís Fernando Bouzas, diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea do Inca e coordenador da Rede BrasilCord.

 

"Outro benefício, é levar desenvolvimento tecnológico, servindo de base para novos centros realizarem transplantes", afirma Bouzas. Atualmente, outros oito bancos estão em funcionamento: quatro em São Paulo, um no Rio de Janeiro, um no Distrito Federal, um em Santa Catarina e um no Ceará.

 

A inovação tecnológica na região norte também é ressaltada por Luiz Antonio Santini, diretor-geral do Inca. "É um incremento para a infraestrutura local em pesquisa, além de enriquecer a rede com informações genéticas características dessa região", observa Santini.

 

Criada pelo Ministério da Saúde em 2004, a Rede BrasilCord prevê ainda a inauguração de bancos no Rio Grande do Sul, em Pernambuco e em Minas Gerais. A expectativa é armazenar, nos próximos anos, 65 mil unidades de sangue de cordões umbilicais - quantidade considerada ideal para a demanda de transplantes no País, somada à colaboração de doadores voluntários de medula.

 

"A expansão da Rede BrasilCord amplia a capacidade de se encontrar doadores não-aparentados para transplantes", diz o superintendente da Fundação do Câncer, Jorge Alexandre dos Santos Cruz.

Transplantes

 

A evolução do número de doadores voluntários tem sido crescente nos últimos anos. Em 2000, eram 12 mil inscritos. Naquele ano, dos transplantes de medula realizados, apenas 10% dos doadores haviam sido brasileiros localizados no Registro nacional der Doadores de Medula Óssea (Redome).

 

Agora, há 1,6 milhão inscritos e o porcentual passou para 70%. O Brasil tornou-se o terceiro maior banco de dados do gênero no mundo, ficando atrás apenas dos registros dos Estados Unidos (5 milhões de doadores) e da Alemanha (3 milhões).

 

Os bancos de sangue de cordão umbilical representam uma grande alternativa para as pessoas que precisam de transplante de medula. Isso porque o sangue de cordão é cada vez mais utilizado como fonte para o transplante.

 

O crescimento de 240% (2003-2009) no número de transplantes não-aparentados está diretamente associado ao crescimento do Redome, já que a busca para esse tipo de transplante é feita prioritariamente no registro nacional, podendo ser feita também no exterior. As chances de se encontrar um doador compatível fora da família (não-aparentado) é de uma em cem mil.

 

A quantidade de doadores em potencial cresceu de forma expressiva após investimentos e campanhas de sensibilização do Ministério da Saúde e outros órgãos vinculados, como o Inca, responsável pelo Redome. Essas campanhas mobilizaram hemocentros, laboratórios, ONGs, instituições públicas e privadas e a sociedade em geral.

 

Indicados no tratamento de leucemias (câncer), linfomas (conjunto de cânceres do sistema linfático) e alguns tipos de anemias graves, os transplantes de medula óssea são realizados no Brasil desde 1979. O país - de 2003 a 2009 - ampliou o número de transplantes de medula óssea em 57,51%, incluindo as três modalidades: autólogos (células retiradas do próprio paciente), aparentados (células retiradas de pessoas da mesma família) e não-aparentados (células doadas por pessoas fora da família).

 

Os transplantes de medula óssea não-aparentados cresceram 274% no Brasil entre 2003 e 2009, subindo de 35 para 131. No mesmo período, o número de transplantes autólogos aumentou em 123,67%, passando de 397 (2003) para 888 (2009), e o de transplantes entre parentes diminuiu 1,5%, passando de 540 (2003) para 540. Em relação ao total de transplantes - órgãos, células e tecidos - realizados em 2009 (20.253), os de medula óssea representaram 7,55%.

 

Desde a criação do Redome, em 2000, o SUS já investiu R$ 673 milhões na identificação de doadores para o transplante de medula óssea. Os gastos cresceram 4.308,51% entre 2001 e 2009.

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