Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Bastidores: fechamento de fronteira foi político, após Colômbia e Paraguai adotarem bloqueios

Bolsonaro decide baixar as armas e fazer gesto político, atendendo apelos que vem recebendo

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2020 | 08h00


Jair Bolsonaro age em resposta às críticas que vem recebendo por não ter adotado nenhuma medida de fechamento de fronteiras, enquanto países vizinhos, como a Colômbia e o Paraguai, já o fizeram. Oficialmente, a justificativa é de que a decisão foi tomada para atender questões sanitárias, uma vez que o sistema de saúde na fronteira está sobrecarregado. Mas, na verdade, Bolsonaro decidiu baixar armas e fazer um gesto político, atendendo a alguns dos apelos que vêm recebendo.

Por enquanto, esse fechamento parcial de fronteira vale apenas para a Venezuela. Mas o tema está sendo reavaliado diariamente, às vezes mais de uma vez no dia, dependendo da evolução dos problemas. Bolsonaro conversou por telefone, nesta terça, com o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez. Desde sábado o Paraguai fechou a fronteira com o Brasil. Brasileiros não entram em Ciudad del Leste. Os paraguaios, porém, estão liberados para passar para o lado do Brasil. Com isso, criam problemas para a população de Foz do Iguaçu, já que fazem estoques de compras nos supermercados.

Na conversa entre os dois presidentes, o tema principal teria sido a criação de "barreiras sanitárias" na ponte da Amizade. O presidente do Paraguai estaria defendendo o fechamento da fronteira pelo lado brasileiro também. No entanto, até o momento, não há essa decisão pelo Brasil.

O Brasil tem 15 mil quilômetros de fronteira terrestre com dez países da América do Sul. Os problemas nessas áreas são inúmeros e o fechamento de fronteiras é um assunto sempre delicado e considerado, em muitos casos, quase impossível de ser colocado em prática. Em várias cidades, como em Tabatinga, no Amazonas, e Letícia, na Colômbia, uma rua liga os dois países. O fenômeno se repete entre Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, e Pedro Juan Caballero, no Paraguai, além de muitas outras áreas. Para os militares, por exemplo, fechar fronteira é uma decisão pouco eficaz - como Bolsonaro chegou a dizer também recentemente. Mas todos consideram o assunto muito delicado.

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