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Bastidores: Ministro sai como perdedor da disputa pela presidência da Fiocruz

Ao escolher 2ª colocada na votação de funcionários, Barros indicaria espécie de 'intervenção branca' na instituição, um dos mais tradicionais centros de pesquisa

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

03 Janeiro 2017 | 19h33

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, Ricardo Barros, pode ser considerado como o grande perdedor da disputa pela presidência da Fundação Oswaldo Cruz. Até a manhã desta terça-feira, 3, ele tentava construir uma aliança para o apoio da indicação de Tânia Cremonini de Araujo-Jorge, segunda colocada na votação promovida entre funcionários e sua escolhida para o posto. 

Na busca por apoio, quando já se esgotavam as alternativas, ele chegou a recorrer ao presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio, que desde a primeira hora se mostrava claramente contra o nome de Tânia.

Para os que acompanharam a movimentação desde a semana passada, o ministro da Saúde fez uma aposta incorreta. Ao escolher a segunda colocada na votação de funcionários em vez de Nísia Trindade, primeira colocada com  2.556 votos, Barros indicaria uma espécie de "intervenção branca" na instituição, um dos mais tradicionais centros de pesquisa e produção de medicamentos e vacinas do País. 

Mas a reação à indicação de Tânia em vez de Nísia foi rápida. Embora a notícia tenha circulado às vésperas do ano-novo, uma audiência com funcionários foi realizada, um abaixo-assinado, endereçado ao presidente Michel Temer organizado para que a lista tríplice fosse respeitada e Nísia fosse nomeada. Até segunda, pelo menos 6 mil assinaturas haviam sido coletadas. Diante da repercussão negativa, Barros foi encarregado de tentar consertar a situação. O nome de Tânia poderia ser mantido, desde que acompanhado de uma aliança de peso. Não foi o que ocorreu.

Na segunda, certo de que convenceria o Planalto, Barros fez uma segunda "sabatina" com Tânia. Numa reunião realizada no fim da tarde, a segunda do dia, ele esperava sair com o aval da presidência. Não conseguiu.

Nesta terça, diante da constatação de que o consenso não seria possível, uma nova reunião foi realizada, no Planalto, atropelando todo o planejamento feito na segunda por Barros. A decisão por Nísia já estava tomada. As duas "candidatas" foram chamadas para uma "sabatina" com o ministro Padilha, Moreira Franco e com Barros. Para observadores, uma espécie de "ritual de conciliação". A meta era sair do encontro com a indicação de que um acerto havia sido feito e de que Tânia teria uma participação para a escolha de duas vice-presidências da instituição que atualmente, entre pesquisadores, servidores e terceirizados, reúne cerca de 11 mil pessoas.

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