Ilustração Marcos Müller/Estadão
Ilustração Marcos Müller/Estadão

Bê-a-bá da nutrição: como entender as informações dos rótulos?

Listamos 7 dicas para você aprender a separar o joio do trigo (integral) e não cair em ‘pegadinhas’ ao observar as embalagens dos alimentos

Danielle Nagase, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2021 | 05h00

Por fora, bela embalagem; por dentro, comida ultraprocessada rica em açúcares, gorduras e sódio – tudo o que, em excesso, faz muito mal à saúde. E o consumidor, muitas vezes desatento (ou desinformado), fica à mercê da publicidade ardilosa que vende gato por lebre nos corredores do supermercado.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) revela que 39,6% dos consumidores afirmam compreender parcialmente ou muito pouco a tabela nutricional estampada no rótulo dos alimentos industrializados, enquanto 0,4% admitem não entender nada. Os outros 60% informaram que entendem totalmente (25,1%) ou quase totalmente (34,8%) as informações nutricionais.

Para que o consumidor pare de cair em pegadinhas e consiga interpretar os rótulos, em 2020 a Anvisa aprovou novas regras sobre a rotulagem nutricional de alimentos, que tornam obrigatório estampar os alertas “alto em açúcar adicionado”, “alto em gordura saturada” e “alto em sódio” na parte frontal das embalagens. “As regras vão impactar mais algumas categorias de produtos. Alimentos da linha fit, por exemplo, mas que são ricos em açúcar, gordura ou sódio, agora terão de declarar de forma mais clara esses detalhes”, afirma Cínthia Baú Betim Cazarin, professora-doutora da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp.

Mas como isso é papo só para o fim de 2022, quando as normas entram em vigor, confira dicas para fazer boas escolhas na hora da compra. “A indústria é muito criativa na hora de vender seus produtos. Ressaltar que um alimento leva leite ou suco de fruta na composição, que é rico em fibras e vitaminas ou que é ‘zero alguma coisa’ não é suficiente para que ele seja ‘saudável’”, indica Laís Amaral, nutricionista e pesquisadora do Programa de Alimentação Saudável e Sustentável do Idep. “Observe principalmente os ingredientes. Evite produtos com itens refinados discriminados logo no início da lista. Fique de olho também na quantidade de aditivos e na gordura trans. Quanto mais natural um alimento, melhor.”

Lista de ingredientes

Apresenta os ingredientes que compõem aquele produto em ordem decrescente de volume, ou seja, o item que aparece em primeiro lugar na lista é o que se encontra em maior quantidade na receita. Fique de olho: ser fonte de fibras e vitaminas, como as embalagens gostam de exaltar, não é suficiente para que um produto seja considerado saudável.

Tabela nutricional

Expõe os componentes nutricionais do alimento. Além das quantidades de carboidrato, proteína, gordura, fibras e sódio, obrigatórias, exibe, por vezes, valores referentes aos minerais e vitaminas presentes.

Que raios é %VD? 

São os Valores Diários de referência. É um número porcentual que indica o quanto o produto em questão representa em fonte de energia e nutrientes numa dieta de 2 mil calorias. Dica: evite produtos com alto %VD para gorduras saturadas, gordura trans e sódio.

Diet x light

Não confunda: alimentos diet são aqueles isentos de algum ingrediente (ou com quantidade insignificante), enquanto o termo light indica teor reduzido. Assim, diet não se refere apenas ao açúcar e tampouco light à gordura (o sal light, por exemplo, é a versão do produto reduzida em sódio). Leia o rótulo com atenção.

É integral mesmo?

Não se deixe enganar: tem muito alimento que se vende como integral, mas que, na lista de ingredientes, quem reina é a tal da farinha de trigo branca enriquecida com ferro e ácido fólico. Convenhamos, não vale chamar de integral um alimento cheio de ingredientes ultraprocessados só porque ele inclui um ou outro cereal integral na receita. Por sorte, esse “truque” bastante explorado pela indústria cairá por terra em 2022, quando entram em vigor as novas regras estabelecidas pela Anvisa para esse tipo de alimento. A partir de abril, “produtos alimentícios só poderão ser classificados como integrais quando, simultaneamente, contiverem, no mínimo, 30% de ingredientes integrais em sua composição e a quantidade de tais ingredientes for superior à quantidade de ingredientes refinados”.

Ingredientes “disfarçados”

Diferentes tipos de açúcar são utilizados pela indústria. Conheça alguns dos codinomes: frutose, sacarose, dextrose, xarope de glicose, maltodextrina.

Quanto mais natural, melhor

A lista de ingredientes traz uma porção de termos indecifráveis? São provavelmente adoçantes, corantes, aromatizantes, emulsificantes, estabilizantes. Na hora da compra, verifique se não existem produtos similares livres de todos esses “antes”.

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