Bebê Sofia já aguarda cirurgia em hospital dos Estados Unidos

Criança deixou hospital onde estava internada, na madrugada desta quarta-feira. Agora espera doador para transplante multivisceral

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

02 Julho 2014 | 18h46

SOROCABA - A bebê Sofia Gonçalves de Lacerda, de 6 meses, portadora de uma doença rara que impede o funcionamento do aparelho digestivo, chegou na tarde desta quarta-feira, 2, ao hospital de Miami, nos Estados Unidos, onde aguardará um transplante multivisceral. Acompanhada pela mãe, Patrícia de Lacerda, a criança deixou o Hospital Samaritano, de Sorocaba, onde estava internada, de madrugada e embarcou em um avião equipado com Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Uma equipe médica acompanhou a criança durante a viagem, que teve escalas em Goiânia, para abastecimento, e Boa Vista, em Roraima, para o trâmite aduaneiro.

Após o desembarque na cidade da Flórida, o bebê foi levado para o Hospital Memorial Jackson, onde deve ser operado pelo médico brasileiro Rodrigo Viana. O pai de Sofia, Gilson Gonçalves, viaja nesta quinta-feira, 3, aos Estados Unidos, em voo comercial, para se juntar à família. Depois de passar por exames, Sofia terá de esperar um doador. Ela já foi incluída no cadastro americano de captação de órgãos.

A menina nasceu com uma doença conhecida como Síndrome de Berdon e nunca se alimentou por via oral. O aparelho digestivo não funciona e houve acúmulo de líquidos e outras substâncias no organismo. São

raríssimos os casos de sobrevivência. A doença foi detectada durante a gestação, mas a mãe, que já havia perdido um bebê, optou por seguir com a gravidez de alto risco. Depois que a menina nasceu, a mãe passou a viver com ela no hospital. Sofia passou por três cirurgias paliativas, mas os hospitais brasileiros não tinham condições para realizar o transplante. A família pesquisou e descobriu que a cirurgia era feita com sucesso nos Estados Unidos. 

O drama da menina comoveu o país e mobilizou mais de meio milhão de pessoas pelas redes sociais (clique aqui para ler reportagem publicada no Estado). A família foi à Justiça em busca de tratamento. Em uma decisão incomum, o Tribunal Federal de Recursos (TRF) de São Paulo determinou ao governo brasileiro que depositasse em uma conta especial cerca de R$ 2,4 milhões para custear o transporte e a cirurgia no exterior. Campanhas pela internet arrecadaram outros R$ 2 milhões para manter a menina no período pós-operatório, que pode durar até dois anos. Durante a viagem a Miami, a mãe postou na página de Sofia no Facebook: "É mais uma batalha vencida, uma emoção sem fim. Vamos continuar até a vitória."

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