Bebês de proveta são tão saudáveis quanto os naturais

Estudos descobriram que técnicas de reprodução não significam aumento dos problemas médicos dos bebês

AP

08 de julho de 2008 | 19h27

Surgem mais evidências de que bebês de proveta são tão saudáveis quanto bebês concebidos naturalmente, disseram pesquisadores nesta terça-feira, 8. Dois estudos apresentados em uma reunião da Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia descobriram que a fertilização in vitro e o congelamento de embriões não significam, necessariamente, um aumento dos problemas médicos dos bebês. "Esses procedimentos são relativamente seguros e os pacientes não devem se preocupar demais", disse Dr. Christopher Barratt, professor de medicina reprodutiva na Universidade de Dundee, no Reino Unido.  Barratt, que não esteve ligado à pesquisa, disse que os estudos são promissores mas ainda são necessárias mais informações. Cerca de 1% dos bebês nascido em países em desenvolvimento são concebidos usando técnicas como a fertilização in vitro. Pesquisadores holandeses que estudaram as crianças nascidas depois desse tipo de procedimento concluíram que o método não é perigoso para o desenvolvimento físico e neurológico dos bebês. "Isso é importante para assegurar às pessoas preocupadas com os riscos dessas técnicas", disse Sue Avery, diretora da Unidade de Concepção Assistida no Hospital Feminino de Birmingham. "Há um medo natural quando você começa a fazer coisas como espetar agulhas nos seus óvulos."  Estudos anteriores mostraram que bebês concebidos de maneira artificial tinham maiores probabilidades de apresentar defeitos graves ao nascer, além de estarem substancialmente abaixo do peso. No entanto, isso deve estar ligado a fatores dos pais, como idade avançada da mãe, estilo de vida e genética.  Médicos também se preocupavam que o baixo peso dos recém-nascidos pudesse levar a problemas como paralisia cerebral. A médica Karin Middelburg, da Universidade de Medicina de Groningen, na Holanda, examinou mais de 120 bebês nascidos de fertilização in vitro. Essas crianças foram comparadas a 90 bebês nascidos de pais que tinham problemas de fertilidade mas que tiveram filhos espontaneamente enquanto esperavam por um tratamento de fertilidade, e outros 450 concebidos naturalmente na população geral.  Cientistas monitoraram o desenvolvimento cerebral dos bebês observando o quanto eles se mexiam. "Quando uma criança está com o cérebro funcionando direito, ela consegue fazer uma variedade de movimentos", disse.  Eles determinaram que os bebês de proveta se moviam tão bem quanto aqueles que nasceram dos pais que esperavam por tratamentos de fertilidade. Isso mostrou que as técnicas de reprodução artificial não são culpadas pelos problemas de desenvolvimento dos bebês, disse. Quando esses bebês foram comparados aos concebidos naturalmente na população geral, os pesquisadores não encontraram diferenças nos movimentos.

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