Fayaz Kabli/Reuters
Fayaz Kabli/Reuters

Bebês guardam lembranças mesmo quando parecem esquecer, diz estudo

Ao contrário do que se pensava, experimento mostra que crianças de até seis meses de idade recordam de ter visto objetos que estão fora de seu alcance, ainda que sem diferenciar formas

Estadão.com.br

20 de dezembro de 2011 | 13h16

Um estudo publicado na mais recente edição da revista Psychological Science afirma que os bebês de até 6 meses de idade podem conservar a noção de algo que viram, mesmo quando está fora de alcance. Essa descoberta derruba o antigo mito de que os bebês não teriam aguçado o sentido de 'permanência do objeto' - termo da Psicologia usado para descrever a crença da criança de que um objeto existe, ainda que esteja longe.

Conduzido por um psicólogo especialista em desenvolvimento infantil da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos, a pesquisa abre novos caminhos sobre a temática da memória infantil. "O estudo questiona quais informações o bebê precisa lembrar sobre um objeto, a fim de saber que ele ainda existe, uma vez que está fora de seu ponto de vista?", questiona Melissa Kibbe, uma das pesquisadoras envolvidas no projeto.

A equipe também descobriu que, embora as crianças não se lembrem das formas exatas dos objetos, elas parecem se surpreender quando estes desaparecem completamente. A conclusão disso é que os bebês se recordam da existência de um objeto, ainda que não saibam exatamente o que é. De acordo com Kibbe, esse fato é importante porque tem relação com os mecanismos cerebrais responsáveis pela memória tanto durante a infância quanto além. "O estudo pode ajudar a criar uma cronologia mais precisa dos marcos mentais dessa época", diz a pesquisadora.

No experimento, bebês de seis meses de idade assistiam um triângulo ser colocado atrás de uma tela e depois um segundo objeto, um disco, ser inserido atrás de outra tela. Os cientistas então removiam a primeira tela e escolhiam revelar o triângulo, o disco ou nada, tudo para testar os bebês. Enquanto isso, as reações dos pequenos eram observadas por uma equipe que media quanto tempo eles olhavam para os resultados esperados e também os inesperados

Quanto os objetos eram trocados, os bebês não pareciam notar a diferença. Isso indica que eles não retêm a forma certa de um objeto na memória. Tanto faz o triângulo ou o disco, diz a pesquisadora Melissa Kibbe. No entanto, quando um dos dois objetos desaparecia de vista, os bebês se mostravam surpreendidos e olhavam por muito mais no espaço vazio. A reação mostra que esperavam algo já visto anteriormente, ainda que sem detalhes. É como se mantivessem uma vaga ideia dos objetos.

 

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